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Irão ameça responder com 80.000 mísseis se Israel atacar o país

© Morteza Nikoubazl / Reuters

Yahya Safavi declarou que os "Estados Unidos da América (EUA) e os sionistas têm consciência do poder do Irão e do Hezbolla e sabem que mais de 80.000 mísseis estão prontos para cair sobre Telavive e Haifa", realçando que "o Irão é um país poderoso e, no caso de ser atacado, responderá de forma devastadora".  

Esta foi a resposta mais dura, até ao momento, às declarações proferidas na semana passada pelo ministro da Defesa israelita, Moshé Yalón, nas quais manifestou que, se o seu país não tiver "uma resposta através de operações cirúrgicas" para parar o programa nuclear iraniano, poderão tomar "decisões semelhantes às dos Estados Unidos em Nagasáqui e Hiroshima".

Estas palavras, em que segundo o Irão, Israel reconhece implicitamente deter armas nucleares e estar disposto a usá-las contra o Irão, levou aquele país da Ásia Ocidental a apresentar uma denúncia às Nações Unidas e a endurecer o seu discurso militar.

"Se os sionistas fizerem algum movimento irrefletido, arruinaremos Hayfa e Telavive. Os sionistas têm muitos problemas e sabem que o Irão é demasiado poderoso para que possam dominá-lo", declarou Safavi.

O assistente do líder acrescentou ainda que a resposta iraniana não só cairá sobre o "regime sionista", mas também sobre quem tentar atuar contra eles.

Noutras declarações do mesmo teor publicadas hoje, o comandante da Guarda Revolucionária iraniana, Alí Jafarí, realçou que os "inimigos da nação" o que percebem melhor é a "linguagem da força e das armas" e que o seu país está disposto a enfrentá-los "com a mesma linguagem". 

 "A opção militar de que os ocidentais falam constantemente é ridícula e sabem que se esta pudesse dar resultado já a teriam utilizado muitas vezes. Por isso, mudaram o seu foco para outros tipos de ameaças e para guerras de baixa intensidade", disse.

O Irão e os países do grupo 5+1 (EUA, China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha) estão a negociar um acordo sobre o polémico programa iraniano, que põe fim às sanções impostas à economia do país em troca de garantias de que o programa nuclear não possa ser desviado para fins militares.

Segundo indicaram todos os negociadores, o acordo está a avançar e é possível chegar a uma solução antes do prazo combinado pelas partes. 

Contudo, Irão e EUA não param de pressionar-se mutuamente sobre esta questão, o que já levou Washington a afirmar que a "opção militar" ainda se encontra sobre a mesa no caso de Teerão não aceitar um pacto nuclear.

Teerão, embora tenha considerado esta postura norte-americana como parte de uma retórica projetada para o seu mercado interno e para tranquilizar o "regime sionista", como habitualmente se referem a Israel, também advertiu que não negociará "sob a sombra das ameaças" e que nunca aceitará um pacto nuclear que rompa com os limites que se traçaram no princípio das negociações. 

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