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OMS aprova plano de luta contra a resistência antimicrobiana

A Organização Mundial de Saúde (OMS), o maior órgão decisor na política de saúde, aprovou hoje um plano de ação para lutar de forma "firme e transversal" contra a resistência antimicrobiana, incluindo a resistência a antibióticos.

© Pascal Rossignol / Reuters

O anúncio foi feito hoje, no final de uma reunião da OMS, e a decisão foi tomada após oito dias de deliberações, no sentido atuar decisivamente contra um problema crescente.

Antes de começar a reunião, a OMS apresentou um estudo que revela que as infeções que nas últimas décadas se tornaram curáveis graças aos antibióticos podem começar a matar novamente, devido ao aumento das bactérias resistentes a estes medicamentos.

A OMS alertou que, sem medidas que o evitem, o mundo dirige-se a "uma era pós-antibióticos", em que doenças comuns e ferimentos leves possíveis de tratar com estes medicamentos durante as últimas décadas podem voltar a matar.

O plano de ação estabelece cinco objetivos: melhorar a consciência e conhecimento sobre a resistência antimicrobiana, reforçar a vigilância e a investigação, reduzir a incidência da infeção, otimizar a utilização de medicamentos antimicrobianos e assegurar um financiamento duradouro.

A resolução apela aos Estados para implementar rapidamente o plano de ação nos seus próprios contextos nacionais e a procurarem fontes de financiamento adicionais. 

Ao adotarem este plano, os países comprometem-se a implementá-lo, nacionalmente, antes de maio de 2017, de acordo com a OMS, citada pela agência noticiosa Efe.

Os planos nacionais têm que cobrir tanto a resistência antimicrobiana em humanos, como em animais e na agricultura. 

O uso prolongado de antibióticos e outros antimicrobianos gera, naturalmente, um processo de resistência, mas este acelera quando se utilizam de forma excessiva, inapropriada ou quando são de má qualidade, refere a OMS.

Um dos principais problemas encontrados é que a venda de antibióticos e outros medicamentos antimicrobianos sem prescrição médica é habitual em muitos países, ao que se junta ainda a disponibilidade de os encontrar na Internet.

A OMS sublinha que, através da Internet, as pessoas têm acesso a medicamentos que não poderiam comprar numa farmácia sem receita médica, inclusive em países onde existe uma boa regulação nesse aspeto.

Para esta situação contribui também a carência de diretivas de tratamento em muitos países, o que aumenta não só a automedicação, como também o mau uso ou escolha do antibiótico por parte dos médicos.

Outro fator que incrementa a resistência é o tratamento não ser completado.

O terceiro problema encontrado são os medicamentos de baixa qualidade e que não contêm a quantidade apropriada do ingrediente ativo, o que resulta numa dose menor do que a necessária. Esta situação agrava-se no caso dos fármacos falsificados.

Além disto, os delegados da OMS aprovaram outra resolução para melhorar o acesso a vacinas a preços acessíveis.

O maior problema regista-se nos países menos desenvolvidos, pois estes não contam com a ajuda de instituições como o GAVI (Aliança Mundial para Vacinas e Imunização), nem possuem o dinheiro necessário para vacinar toda a população, como deveria acontecer, vinca a OMS.

Em 2012, os delegados da OMS adotaram o Plano Global para a Vacinação, que pretende a vacinação universal para 2020, mas cuja implementação não está a dar os resultados desejados.


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