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Pressão migratória de sírios continuará a crescer nos próximos meses

O número de imigrantes sírios continuará a crescer nos próximos meses, especialmente na Turquia, prevê o diretor da Kimse Yok Mu (KYM), maior organização humanitária do país, que já destinou 32 milhões de euros aos refugiados sírios.

© Yannis Behrakis / Reuters

"Continuarão a entrar no país, não em tantas levas como antes, mas continuarão a vir. Grande parte das famílias sírias que chegaram à Turquia não voltará à sua terra natal, muitos ficarão", disse à Lusa Yusuf Yildirim, diretor de departamento internacional da organização humanitária.

Yildirim estima ainda que muito em breve haverá uma nova geração de sírios nascidos na Turquia, tendência que já está a dar indícios.

"Em alguns anos, teremos uma nova geração de culturas mistas, já está a haver sinais disso ter começado", admitiu.

Yildirim já foi o coordenador de assistência humanitária da organização e do conselho de diretores e atualmente é o representante da KYM na América Latina.

Criada em 2002, esta é a única organização não-governamental turca a ter o estatuto de consultora do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). 

Desde 2013, a organização também atua como parceira do Conselho de Direitos Humanos da ONU (UNHCR). 

Em 2014, a KYM foi a primeira organização turca a integrar a lista da Global Geneva com o ranking das 500 ONG sem fins lucrativos no mundo.

Além da sua sede em Istambul, a KYM tem 31 escritórios e realiza atividades em mais de 80 cidades na Turquia e em outros 113 países. A organização mantém ainda uma rede de 210 mil voluntários.

Há pouco mais de 20 campos de refugiados que abrigam sírios na Turquia e são administrados pelo Governo. 

Nestes assentamentos provisórios, vivem cerca de 220 mil pessoas. 

"O grande problema está fora dos campos, pois há cinco vezes mais sírios que não recebem ajuda do Governo. Eles estão em diversas regiões e estão a lutar para sobreviver", descreveu.

Aproximadamente 1,8 milhões de sírios estão espalhados pelo país e dependem de ajudas de ONG. 

A situação dos que fugiram da Síria, nesta que está a ser considerada pela ONU a maior emergência humanitária do século XXI, pode deteriorar-se muito caso o apoio humanitário cesse.

Desde o início do conflito na Síria, em 2011, a KYM já destinou 32 milhões de euros em ajuda humanitária. 

"Entregamos às famílias necessitadas alimentos, roupas, cobertores, tendas, medicamentos e assistência médica. A crise na Síria não terminou, muitos ainda estão a cruzar as fronteiras", explicou.

Apenas em alimentos, há quatro anos são distribuídas diariamente pela ONG refeições para cinco mil pessoas em camiões ambulantes.

Na opinião de Yildirim, a situação está longe de estar sob controlo e muitas organizações têm dificuldades em arrecadar donativos.

"Ainda estamos a conseguir manter o nosso trabalho. Fazemos uma campanha forte e permanente sobre a necessidade de continuar a ajudar os sírios. Se não fizermos isso, as pessoas vão deixar de doar", frisou.

O mais urgente neste momento, segundo Yildirim, é dar assistência às famílias que saíram do território sírio, mas que não entrara, oficialmente na Turquia. 

Milhares de pessoas estão a aguardar em áreas descampadas numa zona de segurança "entre-fronteiras". 

Ainda não se sabe ao certo qual a população nesta área.

"Estamos a enviar apoio às pessoas que ficam 'entre-fronteiras'. Quando iniciámos esse trabalho, havia 5 mil pessoas e agora já são mais de 20 mil", disse.

Entre os sírios que ocupam esta zona, há muitas crianças e mulheres. Nesta área de campos abertos, a KYM montou casas de banho portáteis e tanques para armazenar água.

"Não fazemos restrição a etnia, língua, religião ou cultura. Damos assistência a qualquer pessoa necessitada. É uma grande responsabilidade que sentimos nos nossos ombros", disse.

A KYM assiste praticamente dois terços das famílias sírias que entraram como refugiadas na Turquia e que não são acolhidas nos campos mantidos pelo Governo.

Os sírios são a maior população refugiada sob o mandato do Alto- Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). 

Existem mais de três milhões de sírios em países como Jordânia, Iraque, Egito e Líbano, além da Turquia.


Lusa


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