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Combinação de medicamentos trava crescimento do cancro

São as conclusões de um estudo publicado no New England Journal of Medicine e que estão a fazer furor no mundo da medicina. A combinação de dois medicamentos está a melhorar a resposta do sistema imunitário, no combate aos tumores, ao ponto de fazer com que encolham e parem de crescer.

© Stefan Wermuth / Reuters

"Espetacular" é a palavra, que por estes dias, se ouve mais para os lados de Chicago, onde decorre o Congresso Internacional de Oncologia.

Pela primeira vez, a combinação de dois medicamentos, o ipilimulab e o nivolumab, conseguiu por "travão" no avanço do melanoma metastizado. Em quase 58% dos casos, os tumores encolheram.

Foi este o resultado de um estudo elaborado por uma equipa de especialistas britânicos, publicado no  New England Journal of Medicine e apresentado na Sociedade Americana de Oncologia Clínica. 

Normalmente, as células tumorais conseguem "esconder-se" e passar despercebidas do sistema imunitário porque produzem proteínas.

O que esta nova terapêutica vem fazer é "destapar" as células más, e abrir caminho para o sistema imunitário as atacar.

Mais de metade dos doentes, que participaram neste estudo viram o seu melanoma, o mais perigoso dos cancros da pele, encolher pelo menos um terço do seu tamanho. Redução que se manteve ou estabilizou nos 11,5 meses seguintes.

Os resultados são inéditos e podem significar um avanço importante no controlo deste tipo de cancro, extremamente agressivo.

Em Portugal, o melanoma mata mais de 200 pessoas por ano.

Especialistas acreditam que este tratamento irá ter um grande futuro no tratamento do cancro. 

Mas a comunidade médica tem ainda muitas dúvidas. Não se sabe por quanto tempo sobrevivem os doentes com melanoma sujeitos a este tratamento e os efeitos secundários desta terapia que são muito agressivos (fadiga, erupções de pele, diarreia).

Também não é possível, para já, perceber porque determinados doentes reagem melhor que outros à terapêutica.

Os dois medicamentos dão pelo nome de ipilimumab, com o nome comercial Yervoy, e o nivolumab, mais conhecido por Opdivo. Ambos foram desenvolvidos pela farmacêutica norte-americana Bristol-Myers Squibb.


"Sinto-me extremamente bem agora"

Em 2013 quando lhe diagnosticaram o melanoma, os médicos deram a Cait Chalwin, de 43 anos, 18 a 24 meses de vida. O tumor que começou na pele já tinha chegado aos pulmões. Fez o tratamento combinado e o cancro estabilizou. 

Acredita que se não tivesse feito este tipo de imunoterapia não teria conseguido sobreviver. "Sinto-me extremamente bem agora", disse esta britânica à BBC.

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