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Brasil foi o país da América Latina com mais pedidos de refugio em 2014

O Brasil foi o país da América Latina que mais recebeu pedidos de refúgio no ano passado, com 25.996 solicitações, um aumento de 2131% ao registado 2010, informou Paulo Guerra, representante do Comité Nacional de Refugiados.

A principal porta de entrada dos refugiados no Brasil, e na América Latina, é São Paulo, que recebe 36% das solicitações nacionais, segundo o ACNUR. (Arquivo)

A principal porta de entrada dos refugiados no Brasil, e na América Latina, é São Paulo, que recebe 36% das solicitações nacionais, segundo o ACNUR. (Arquivo)

© Nacho Doce / Reuters

Todavia, apenas cerca de 16 mil dos solicitantes anuais devem atender aos critérios do refúgio, ligados à perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade e grupo social, afirmou Guerra, durante uma cerimónia organizada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em São Paulo.   

A principal porta de entrada dos refugiados no Brasil, e na América Latina, é São Paulo, que recebe 36% das solicitações nacionais, segundo o ACNUR. Apesar do alto número de solicitações, o país possui atualmente 7700 refugiados reconhecidos, de 81 nacionalidades.  

Entre os refugiados reconhecidos pelo país, a maioria é da Síria, que representa 23% do total, seguidos de nascidos na Colômbia, em Angola ou na República Democrática do Congo.

O representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez, afirmou que o aumento dos pedidos de refúgio no nível global se faz também sentir no Brasil, "que não está isolado" e cada vez mais se vê em uma situação complexa.

O país, segundo afirmou o representante, é um exemplo para países do Mediterrâneo e para a União Europeia sobre como enfrentar os desafios.

"O Brasil tem tido uma boa resposta do ponto de vista humanitário ao longo da história. Então, os países que não têm uma política generosa, humanitária e de portas abertas, têm de aprender com o Brasil, que oferece um bom exemplo", disse Ramirez. 

Ainda segundo o representante do ACNUR, é um "mito" pensar que os refugiados se encaminham para países desenvolvidos, porque 86% deles estão no mundo em desenvolvimento. No caso do Brasil, segundo Ramirez, mesmo diante do grande aumento no número de refugiados, a entrada deles ainda é pequena devido à distância do país em relação às regiões em conflito. 

Questionado sobre a entrada de terroristas no Brasil entre os refugiados, Ramirez afirmou que ainda não há dados concretos sobre isso, apenas rumores.

"Há setores com medo, que falam de terroristas. Mas devemos ter em conta que o Brasil está nos refletores do mundo, e estará mais ainda no ano que vem por causa das Olimpíadas", disse.

O Governo brasileiro reconhece que a sua estrutura atual para analisar as solicitações de refúgio é insuficiente. Paulo Guerra, diretor adjunto do departamento de Estrangeiros do Comité Nacional de Refugiados, afirma que a atual equipa consegue avaliar 15 pedidos ao dia, quando seriam necessários mais de 110. 

Atualmente, no mundo há 59,5 milhões de pessoas deslocadas, segundo o ACNUR, 19,5 milhões das quais são refugiadas.

No ano passado, a Turquia tornou-se o primeiro país em concessões de asilo, com 1,59 milhões de pessoas, principalmente sírios e iraquianos, enquanto a Rússia foi o país com mais solicitações, com 284.700 pedidos. 
Lusa
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