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Felipe VI mudou imagem da monarquia espanhola num ano

 Felipe VI celebra em junho um ano como Rei de Espanha e, para já, pode orgulhar-se de ter conseguido inverter a desconfiança dos espanhóis na monarquia, que agora alcança níveis altos de popularidade e respeito. 

© Sergio Perez / Reuters

Quando a 02 de junho de 2014 Juan Carlos abdicou da coroa espanhola a popularidade da monarquia junto dos espanhóis estava no nível mais baixo desde a transição da ditadura franquista. Uma sondagem do Centro de Investigações Sociológicas (CIS) indicava que os espanhóis avaliavam a monarquia com 3,72 valores numa escala de 10, menos de metade dos 7,46 valores de 1994.

Na raiz desse desgaste de Juan Carlos estavam problemas de saúde, escândalos de corrupção com membros da família real, uma caricata viagem de caça ao Botsuana e um relacionamento extramatrimonial com Corinna zu Sayn-Wittgenstein. 

Duas semanas depois de Juan Carlos abdicar, a 19 de junho, o seu filho ascenderia ao trono como Felipe VI. 

Em um ano muita coisa mudou na atitude da Casa Real e do próprio Rei, cujas escolhas - quer de destinos de viagens oficiais, quer das palavras utilizadas nos discursos oficiais - foram e são minuciosamente analisadas pela imprensa espanhola.

No seu primeiro discurso no parlamento espanhol - ao assumir o cargo - Felipe VI centrou a sua mensagem na unidade da nação, no papel da Coroa e na honestidade de quem tem cargos públicos. Naquele discurso estava o guião das suas prioridades para um ano de reinado.

Felipe VI falou numa "monarquia renovada para um tempo novo", na qual o Rei é uma "referência" dos princípios éticos exigidos pelos cidadãos. E diria que "em Espanha cabem todos", "cabem as diferentes formas de cada um se sentir espanhol".

Para contribuir para a unidade nacional espanhola, Felipe VI privilegiou a Catalunha e o País Basco na sua agenda institucional.

Envolvida num cada vez mais intenso debate independentista, a Catalunha foi a primeira comunidade espanhola que Felipe VI visitou após a proclamação.

Ao longo dos últimos 12 meses, as visitas do Rei à Catalunha multiplicaram-se. Em terras catalãs as mensagens de Felipe VI centram-se nas vantagens de "trabalhar juntos", considerando que esta é a melhor forma de "atingir grandes objetivos".

E na frente basca, Felipe VI conseguiu que o presidente autonómico, o 'lehendakari' Iñigo Urkullu, garantisse após uma reunião no Palácio Real (Palácio de La Zarzuela) que "Euskadi (o País Basco) não iria quebrar a lei".

Quanto a viagens oficiais, Portugal surge em lugar de destaque, já que foi o primeiro destino de Felipe VI e da rainha Letícia após a cerimónia de coroação. A visita a Portugal não foi uma visita de Estado (a primeira de Felipe VI seria a França, em março), mas deu a indicação da importância histórica de Portugal para a monarquia espanhola.

Num ano, o novo Rei fez menos de 20 viagens oficiais ao estrangeiro, das quais quatro para visitar outras monarquias. Além de Portugal e França (primeira visita de Estado, que foi interrompida devido à tragédia nos Alpes com o avião da German Wings), Felipe VI esteve no Vaticano, Marrocos, Holanda, Bélgica, Alemanha, México e Etiópia.

Internamente, para "limpar" a imagem da família real espanhola, Felipe VI tomou medidas em várias frentes: remunerações, transparência das contas da família e um novo regime de incompatibilidades.

O novo Rei baixou o seu salário em 20%. Ainda recebe 234.204 euros ao ano, mas este valor representa menos 58.548 euros do que recebia Juan Carlos.

Também impôs uma auditoria externa às contas da Casa do Rei e proibiu a família real espanhola de trabalhar em empresas privadas, estando limitada a trabalho "de natureza institucional".

Proibidos estão também os presentes além das "lembranças de cortesia" trazidas por dignitários. Ao longo do seu reinado, o rei Juan Carlos recebeu presentes de elevado valor monetário, como por exemplo dois automóveis Ferrari.

Um trabalho que rendeu os seus frutos um ano depois de ter assumido a Coroa. A mais recente sondagem do CIS indica que o reinado de Felipe VI recebe a aprovação do povo espanhol: 57,4% dos espanhóis está a favor da forma como o rei desempenha a sua função. 

E a Monarquia é agora uma das instituições com melhor pontuação em Espanha, com 4,34 em 10 valores, quase um valor mais do que em abril de 2014.

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