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ONU admite inquérito independente à violação de crianças por militares

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) admitiu realizar um inquérito externo independente às alegadas agressões sexuais sobre crianças feitas por soldados franceses e africanos na República Centro-Africana, disse esta quarta-feira um seu porta-voz.

A ONU tem sido vivamente criticada pela sua lentidão em responder às alegações de abusos sexuais muito graves sobre crianças, que também já motivou um inquérito das autoridades francesas, que está em curso.

A ONU tem sido vivamente criticada pela sua lentidão em responder às alegações de abusos sexuais muito graves sobre crianças, que também já motivou um inquérito das autoridades francesas, que está em curso.

© Reuters Photographer / Reuters

"A intenção de Ban Ki-moon, com a promoção deste inquérito, é garantir que a ONU não abandona as vítimas de abusos sexuais, em particular quando são feitos por aqueles que deveriam proteger" as populações, adiantou o porta-voz, Stéphane Dujarric.

A ONU tem sido vivamente criticada pela sua lentidão em responder às alegações de abusos sexuais muito graves sobre crianças, que também já motivou um inquérito das autoridades francesas, que está em curso.  

Mais grave, porém, foi a acusação à ONU de ter castigado o funcionário que, por livre iniciativa, transmitiu um relatório às autoridades francesas para as alertar. 

O assunto foi revelado em abril pelo diário britânico The Guardian, que mencionou um relatório da ONU com testemunhos de crianças que afirmaram ter sido violadas por militares franceses, no início da intervenção militar da França na República Centro-Africana, que durou de dezembro de 2013 a junho de 2014, em troca de alimentação. 

A França anunciou em maio que 14 soldados franceses estão acusados neste caso, potencialmente desastroso para a imagem da França e dos seus militares em África. 

As crianças, com idades entre os oito e os 13 anos, também teriam sido violadas por soldados do Chade e da Guiné Equatorial. 

A organização Aids Free World (Um Mundo sem Sida), que divulgou um relatório interno da ONU, denunciou que dirigentes da ONU estavam ao corrente das alegações de violação, mas não fizeram nada.

"Houve procedimentos que falharam aqui", reconheceu Dujarric, perante os jornalistas. "Este caso não foi gerido como o secretário-geral pretendia", acrescentou. 
Lusa
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