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Abusos sistemáticos levam 5.000 a fugir da Eritreia mensalmente, alerta ONU

As violações "sistemáticas e em larga escala" dos direitos humanos pelo governo da Eritreia forçam cerca de 5.000 eritreus mensalmente a fugirem do seu país, segundo um inquérito das Nações Unidas.

Refugiados eritreus junto à embaixada em Tel Aviv.

Refugiados eritreus junto à embaixada em Tel Aviv.

© Baz Ratner / Reuters

Após um ano de investigação, três especialistas designados pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU descreveram num relatório de 500 páginas um sistema repressivo no qual as pessoas são regularmente detidas, torturadas, desaparecem ou são mortas. 

Um sistema de recrutamento por tempo indeterminado de todos os eritreus também obriga muitos a trabalharem em condições semelhantes à escravidão nas forças armadas e outros empregos estatais, por vezes durante décadas.

"A comissão determinou que violações sistemáticas e em larga escala dos direitos humanos foram e são cometidas na Eritreia sob a autoridade do governo (...) algumas podem constituir crimes contra a humanidade", afirmam os peritos, cujo relatório foi divulgado hoje.

As violações ocorrem "numa escala raramente constatada noutros locais", adiantam.

Isto provoca um êxodo em massa, tendo centenas de milhares de eritreus abandonado o seu país, arriscando a "tortura e a morte às mãos de traficantes de seres humanos sem escrúpulos ", segundo o relatório.

A Eritreia é, depois da Síria, a segunda maior fonte de migrantes que arriscam as suas vidas para atravessar o Mediterrâneo e chegar à Europa.

"Face a uma situação desesperada que se sentem impotentes para mudar, centenas de milhares de eritreus fogem do seu países", indica o relatório, adiantando que cerca de 5.000 deixam o país mensalmente.

Em meados de 2014, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estimou em 360.000 os refugiados eritreus em todo o mundo.

A Eritreia separou-se da Etiópia em 1991, depois de 30 anos de luta pela independência. Após 22 anos de regime do presidente Issaias Afeworki, o relatório evoca um sistema 'orwelliano' de vigilância  em massa, no qual os membros da família são 'recrutados' para darem informações uns sobre os outros e as pessoas ficam detidas durante anos em condições horríveis sem sequer saberem porquê.

Os investigadores vão apresentar as suas conclusões ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU a 23 de junho.



Lusa
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