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Papa inicia hoje visita de nove dias a três países latino-americanos

O papa inicia hoje, em Quito, uma viagem de nove dias por três países da América Latina, Equador, Bolívia e Paraguai, marcados pela desigualdade, pobreza e a pesada herança de regimes autoritários. 

© Max Rossi / Reuters

De domingo a 13 de julho, o primeiro papa jesuíta latino-americano cumpre a viagem mais longa desde que foi eleito, em março de 2013, durante a qual fará 22 discursos e subirá sete vezes a bordo de um avião para percorrer 24 mil quilómetros. 

A participação da Igreja Católica no "debate democrático", o respeito "pela identidade cultural de cada país", a proteção do ambiente e das famílias "que sofrem", especialmente as famílias monoparentais, são temas que o papa vai abordar, declarou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. 

Quito e Guayaquil no Equador, La Paz e Santa Cruz na Bolívia, Assunção e Caacupé no Paraguai: apesar dos seus 78 anos, o papa "não teve a menor dúvida" ao escolher um programa intenso, explicou o porta-voz, Federico Lombardi. 

Jorge Bergoglio, que aos 20 anos foi submetido a uma cirurgia para retirar parte de um pulmão, não excluiu mastigar folhas de coca para contrariar o "mal das montanhas", quando estiver em La Paz, a 3.700 metros de altitude. 

O papa vai presidir a cinco missas ao ar livre, esperando-se em cada uma entre um a dois milhões de pessoas. Orações e cânticos serão entoados em línguas indígenas como guarani, quechua e amaira. 

Na missa final, em Nu Guazu, em Assunção, as autoridades esperam a presença de um milhão de fiéis da Argentina, do Uruguai e do Brasil. 

Jorge Bergoglio deslocou-se ao Brasil, em julho de 2013, para as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), uma viagem que tinha sido planeada durante o pontificado de Bento XVI. 

Esta visita vai ser também um ato de reconciliação com a história colonial espanhola da região, em que o papa vai abordar a influência jesuíta e a criação entre os séculos XVI e XVIII de missões católicas, onde eram agrupadas populações indígenas, numa tentativa de as "proteger" e de as "civilizar"

Jorge Bergoglio vai encontrar-se com os presidentes Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia), Horacio Cartes (Paraguai) e vários outros dirigentes. 

A etapa na Bolívia incluirá dois momentos particularmente fortes: a visita à prisão Palmasola, perto de Santa Cruz, e em La Paz, um momento de recolhimento no local onde o padre jesuíta espanhol Luis Espinal foi assassinado por paramilitares em 1980. 

 

 

 

 

Lusa

 

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