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Autoridades moçambicanas incineram mais de duas toneladas de marfim e cornos de rinoceronte

As autoridades moçambicanas incineraram hoje mais de duas toneladas de dentes de marfim e cornos de rinoceronte em Maputo, apreendidas em diferentes ocasiões em vários pontos do país, disse hoje à Lusa o ambientalista Carlos Serra.  

© Stringer . / Reuters

"Vamos ficar aqui até que todas estas peças fiquem reduzidas a pó, com este gesto mandámos uma mensagem sobre o nosso compromisso da proteção da natureza", afirmou Serra, falando a partir do local onde decorreu a incineração, no bairro do Triunfo, arredores de Maputo.

Para assinalar a determinação do Governo moçambicano no combate à caça furtiva, o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, encarregou-se de atear o fogo em que foram queimados os dentes de marfim e os cornos de rinoceronte, adiantou o ambientalista moçambicano.

Entre as peças hoje incineradas inclui-se parte dos 65 cornos de rinocerontes apreendidos em maio na província de Maputo, sul do país, 12 dos quais acabaram sendo roubados com a suposta conivência de funcionários do Estado, incluindo polícias.

Vários grupos que integram moçambicanos são acusados de estar envolvidos na caça furtiva no país e no parque sul-africano de Krueger, junto da fronteira com Moçambique, onde matam rinocerontes e elefantes para extração de cornos e dentes de marfim, que são posteriormente traficados para a Ásia.

Em comunicado hoje enviado à Lusa, a Embaixada dos EUA em Maputo aplaude a "ação corajosa do Governo de Moçambique na destruição de reservas de 2,4 toneladas de pontas de marfim e de 193 quilogramas de cornos de rinoceronte apreendidas".  

"A procura de marfim e de outros produtos ilegais de origem animal levou ao abate de elefantes e rinocerontes por toda a África.  Este comércio ilegal tem impacto tanto sobre a fauna bravia como sobre as comunidades. As redes criminosas transnacionais exploram as comunidades locais e privam-nas da sua riqueza natural, colocando em risco as economias locais e os ecossistemas", refere, em nota de imprensa a embaixada norte-americana.

De acordo com o comunicado, as ações do Governo de Moçambique dão um sinal claro do seu compromisso para com a conservação e a preservação dos recursos naturais.  

Contactado pela Lusa, o porta-voz da polícia moçambicana na província de Maputo, de onde é proveniente grande parte do material hoje incinerado, afirmou desconhecer a queima dos cornos de rinoceronte e marfim apreendidos, declarando que o caso ainda se encontra sob investigação. 

Lusa

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