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Principais datas sobre o acordo nuclear desde 2002

As potências mundiais e o Irão chegaram hoje a um acordo histórico sobre o programa nuclear iraniano em troca de um alívio nas sanções impostas ao país, depois de uma maratona negocial de 18 dias em Viena.

DEAN CALMA

O acordo visa terminar os receios de há 13 anos, segundo os quais o Irão pode tentar construir uma arma nuclear, uma iniciativa sempre desmentida pelos iranianos, que garantem que o programa nuclear serve apenas para fins energéticos.

Segue-se uma seleção dos principais desenvolvimentos dos últimos 13 anos.

- Agosto de 2002: Uma exilada iraniana da oposição política revela a existência de instalações nucleares secretas. Em resposta, o Irão convida a Agência Internacional da Energia Atómica a inspecionar o país e diz que as suas atividades são pacíficas.

- 2003: O Irão acorda com o Reino Unido, Alemanha e França uma suspensão das atividades, mas no ano seguinte recua no compromisso.

- 2004: A AIEA diz que não encontrou qualquer prova de armas armas secretas mas que não pode garantir que não existam materiais escondidos. Em Paris, o Irão concorda em suspender algumas atividades.

- Agosto de 2005: Sob o mandato do radical Presidente Mahmoud Ahmadinejad, Teerão produz gás de urânio, o percursor do enriquecimento que constitui o principal material de uma bomba. As nações europeias abandonam as negociações.

- 2006: O Irão rompe o selo posto pela AIEA nas instalações de Natanz e começa a enriquecer o urânio. A AIEA refere o Irão ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que em julho aprova a primeira de seis resoluções.

- Agosto de 2006: Ahmadinejad inaugura uma central em Arak, aumentando os receios de que o Irão pode estar a desenvolver plutónio para as armas. Em dezembro, a segunda resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas junta um conjunto de sanções, uma prática seguida pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

- Novembro de 2007: O Irão diz que tem pelo menos 3 mil centrifugadoras para enriquecimento de urânio, o que em teoria poderia produzir a quantidade suficiente de plutónio enriquecido para construir uma bomba atómica em menos de um ano. Hoje, o país diz ter pelo menos 20 mil centrifugadoras, metade das quais estão ativas.

- Dezembro de 2007: Um relatório dos serviços secretos norte-americanos afirma "com alta confiança" que em 2003 o Irão parou os esforços para ter armas nucleares, mas "no mínimo" mantém aberta a possibilidade de retomar esses esforços.

- Setembro de 2009: Os líderes dos EUA, França e Reino Unido anunciam que o Iraque está a construir instalações de enriquecimento secretas em Fordo, construído numa montanha perto de Qom.

- Outubro de 2009: O Irão concorda em trocar urânio enriquecido por combustível de reator, mas o acordo gora-se quando em fevereiro de 2010 o Irão começa a enriquecer urânio num nível demasiado próximo do nível utilizado nas bombas - para fins medicinais, respondem as autoridades de Teerão.

Outro plano de troca de combustíveis surge, desta vez envolvendo o Brasil e a Turquia, mas também vai por água abaixo.

- Novembro de 2011: Um relatório da AIEA, baseando-se em informações secretas "maioritariamente credíveis", diz que pelo menos até 2003 o Irão "levou a cabo atividades relevantes para o desenvolvimento de um engenho nuclear explosivo".

- Dezembro de 2011: O Congresso dos Estados Unidos aprova legislação que sanciona os financiadores que lidam com o banco central do Irão, e em janeiro a UE proíbe todas as importações de petróleo iraniano.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apresenta um diagrama de uma bomba na Assembleia-Geral das Nações Unidas, pedindo "uma linha vermelha clara" para ser desenhada à volta do programa nuclear iraniano, apesar de se presumir que Israel também tem armas nucleares.

- 2013: O recentemente eleito Presidente Hassan Rouhani garante que está pronto para negociações "sérias", mantendo uma inédita conversa telefónica com o Presidente dos EUA, Barack Obama.

- Novembro de 2013: Um acordo preliminar é alcançado, congelando algumas das atividades nucleares iranianas por troca com uma suavização das sanções impostas ao país.

- Abril de 2015: O Irão e outros países influentes desenham em Lausana, na Suíça, as principais linhas do acordo final.

- Final de junho de 2015: Começam as negociações finais em Viena, mas vários prazos acabam por ser falhados durante 18 dias de conversações.

- 14 de julho de 2015: A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, anunciam ter sido alcançado um acordo, descrevendo-o como "histórico" e "um sinal de esperança" para todo o mundo.

Lusa