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Prémio Gulbenkian distingue médico que assiste mulheres violentadas no Congo

O médico congolês Denis Mukwege é o vencedor do Prémio Calouste Gulbenkian 2015. O ginecologista dedica a vida a assistir mulheres vítimas de violação na República Democrática do Congo, um país onde a violação e a mutilação sexual são usadas como arma.

Em 2014, venceu o Prémio Sakharov

Em 2014, venceu o Prémio Sakharov

© Vincent Kessler / Reuters

O médico Denis Mukwege, que tem dedicado a vida a assistir mulheres vítimas de violação na República Democrática do Congo, é o vencedor do Prémio Calouste Gulbenkian 2015, no valor de 250 mil euros, anunciou hoje a fundação.

O Prémio Calouste Gulbenkian é atribuído a uma instituição ou a uma pessoa, portuguesa ou estrangeira, que se tenha distinguido na defesa dos valores essenciais da condição humana.

Este ano, o júri do prémio, presidido pelo ex-chefe de Estado Jorge Sampaio, escolheu como vencedor o médico ginecologista congolês pela sua "extraordinária ação humanitária" num país "onde a violação e a mutilação sexual são utilizadas como arma de guerra".

Segundo uma nota de imprensa da Fundação Calouste Gulbenkian, Mukwege, nascido em 1955, "especializou-se no tratamento de mulheres violentadas pelas milícias armadas do seu país, sobretudo durante a guerra civil (1998-2003)".

"O hospital que fundou em 1999, em Bukavu - The Panzi Hospital - tornou-se uma referência mundial na reparação e tratamento das lesões provocadas por este género de agressão, tendo, desde então, prestado apoio clínico, psicológico, social e jurídico a dezenas de milhares de mulheres", adianta a mesma nota.

A Fundação Calouste Gulbenkian refere ainda que, "apesar de a guerra civil na República Democrática do Congo ter terminado em 2003, vários grupos armados lutam pelo controlo dos riquíssimos recursos naturais do país, criando um clima de guerra e de instabilidade, em que as mulheres se tornaram as principais vítimas".

A cerimónia de entrega do prémio realiza-se na segunda-feira, às 19:00, na sede da instituição, em Lisboa. Denis Mukwege, que venceu, entre outros, os prémios Olof Palme, em 2008, e Sakharov, em 2014, vai estar presente.

O Prémio Calouste Gulbenkian foi atribuído pela primeira vez em 2012 à West-Eastern Divan Orchestra, a formação liderada por Daniel Barenboim, e no ano seguinte à Biblioteca de Alexandria. Em 2014 distinguiu a Comunidade de Santo Egídio.

O júri é constituído por Jorge Sampaio (antigo Presidente da República), Vartan Gregorian (Carnegie Corporation, EUA), Pedro Pires (antigo presidente de Cabo Verde), princesa Rym Ali da Jordânia (fundadora do Jordan Media Institute), Sampaio da Nóvoa (antigo reitor da Universidade de Lisboa) e Mónica Bettencourt-Dias (investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência).

Com Lusa

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