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Presidente da Câmara dos Deputados rompe com Dilma Rousseff e passa à oposição

O presidente da Câmara dos Deputados brasileira, Eduardo Cunha, anunciou esta sexta-feira que rompeu com o Governo da Presidente Dilma Rousseff e afirmou que, embora integre um partido da coligação governamental, agora se considera da oposição.

Eduardo Cunha afirmou que cumprirá o seu papel como Presidente da Câmara dos Deputados, o que pressupõe neutralidade, e permanecerá no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), principal aliado do Partido dos Trabalhadores na coligação governamental, mas que vai recomendar ao seu partido que passe também para a oposição. (Arquivo)

Eduardo Cunha afirmou que cumprirá o seu papel como Presidente da Câmara dos Deputados, o que pressupõe neutralidade, e permanecerá no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), principal aliado do Partido dos Trabalhadores na coligação governamental, mas que vai recomendar ao seu partido que passe também para a oposição. (Arquivo)

© Paulo Whitaker / Reuters

No anúncio, feito em conferência de imprensa, Eduardo Cunha afirmou que cumprirá o seu papel como Presidente da Câmara dos Deputados, o que pressupõe neutralidade, e permanecerá no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), principal aliado do Partido dos Trabalhadores na coligação governamental, mas que vai recomendar ao seu partido que passe também para a oposição.

"O governo quer me arrastar para a lama e isso não vou permitir", afirmou, no mesmo dia em que fará uma declaração formal através da rádio e televisão, com um balanço do Legislativo.

A decisão de Eduardo Cunha foi anunciada um dia depois de ter sido acusado de receber cinco milhões de dólares (4,61 milhões de euros) em subornos da empresa Toyo Setal, de um contrato de navios-sonda da Petrobras.

A denúncia foi feita pelo empresário Julio Camargo, suspeito de participar na corrupção na petrolífera brasileira, em delação premiada, ou seja, após ter chegado a acordo com a Justiça para prestar informações em troca de uma possível redução de pena, no âmbito da Operação Lava Jato.

Eduardo Cunha criticou a aceitação e a divulgação da denúncia da delação premiada, negou ter cometido qualquer irregularidade, afirmando que não há provas e atribuiu a suspeita sobre ele a uma suposta mobilização do Governo para o fragilizar politicamente.

O Presidente da Câmara afirmou ainda que a delação é "nula" por ter sido proferida em primeira instância, e os parlamentares só podem ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

Deputados da coligação governamental defenderam hoje o afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Casa.

Eduardo Cunha ganhou protagonismo no cenário político brasileiro ao ter sido eleito neste ano como Presidente da Câmara com uma articulação de bastidores que o possibilitou vencer o candidato do Partido dos Trabalhadores, Arlindo Chinaglia, apesar de fazer parte de um partido da coligação do Governo.

A sua eleição evidenciou uma quebra na base de apoio de Rousseff no Legislativo.

Como Presidente da Casa, Cunha colocou em votação projetos apoiados pela oposição ao Governo de Rousseff, e promoveu derrotas à Presidência da República, como a aprovação em primeira votação da diminuição da maioridade penal para crimes hediondos e o aumento da idade de aposentadoria de magistrados de 70 para 75 anos.

O Governo ainda não se manifestou, e isso só deve ocorrer após a Cimeira de chefes de Estado do MERCOSUL que se realiza hoje em Brasília, com a participação de Dilma Rousseff.

As consequências da investigação contra Eduardo Cunha e do seu rompimento com o Governo no Congresso Nacional só serão conhecidos na prática no início de agosto, já que o Legislativo brasileiro está fechado para férias.

Lusa

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