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Relatório de polícia brasileira revela que Lula pediu a Odebrecht para organizar jantar

O empresário Marcelo Odebrecht, presidente da maior empresa de construção do Brasil, organizou um jantar em São Paulo a pedido do ex-Presidente Lula da Silva, revela um relatório elaborado pela Polícia Federal, hoje divulgado pelo jornal online O Globo.

Nelson Antoine

"Através da leitura das mensagens acerca deste evento foi possível inferir, grosso modo, que (...) o jantar foi realizado a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", aponta o relatório da PF, citado pelo Globo.

Este relatório revela os bastidores de um jantar em São Paulo, na residência do empresário Marcelo Odebrecht, em 28 de maio de 2012, no qual participou Lula da Silva.

O documento refere também que "foram enviadas mensagens individuais para cada um dos convidados" desse jantar, designadamente o ex-ministro Antonio Palocci, empresários, banqueiros, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e dois sindicalistas mencionados na Operação Lava Jato.

"Emílio e Marcelo Odebrecht têm o prazer de convidá-la para um jantar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual será discutida a situação da economia brasileira face à conjuntura internacional", diz o email enviado pela presidência da construtora Odebrecht para Juvandia Moreira Leite, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, em 17 de maio de 2012, que respondeu confirmando a sua "presença no jantar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva".

Lula da Silva é investigado por alegadamente favorecer a construtora Odebrecht a obter contratos durante viagens para África e na América Latina, entre 2011 e 2014, quando já não era chefe de Governo.

O Globo afirma que, no âmbito das buscas que a PF efetuou à casa do empreiteiro, em 19 de junho, "durante a 14.ª etapa da Lava Jato", foram apreendidos "documentos, correspondências e mídias", sendo que "um HD que estava num cofre no quarto de Marcelo Odebrecht armazenava troca de mensagens sobre o jantar".

O jornal brasileiro adianta ainda que, no sábado, este relatório da polícia "foi anexado aos autos da Lava Jato".

O ex-presidente brasileiro pediu no sábado a suspensão do inquérito que o investiga por tráfico de influências no Ministério Publico Federal em Brasília, alegando que houve irregularidades na abertura do processo.

"Diante do espanto da abertura de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), sem nenhum indício de crime, e isso está nos despachos dos procuradores, e pelas diversas irregularidades na abertura do PIC, os advogados do ex-presidente (...) apresentaram uma reclamação disciplinar ao Conselho Nacional do Ministério Público", informou o Instituto Lula, em nota, na noite de sexta-feira.

Além de pedir a suspensão do inquérito, os advogados de Lula solicitaram a avaliação da conduta do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado, que pediu a abertura do PIC.

Segundo o Instituto Lula, o procurador violou deveres funcionais por interferir em uma apuração preliminar que estava a ser conduzida pela procuradora titular e por ter ignorado a manifestação de defesa do ex-Presidente.

Os advogados também criticam o procurador por tentar "promover a quebra de sigilo fiscal e de correspondência de Lula".

Lusa

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