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Julgamento de Hissène Habré por crimes contra a humanidade adiado até setembro

O julgamento por crimes contra a humanidade do ex-Presidente do Chade, Hissène Habré, foi hoje adiado para setembro para que os seus advogados possam preparar a defesa.

© Stringer Afghanistan / Reuter

Neste segundo dia do julgamento, Hissène Habré, de 72 anos, foi novamente obrigado a comparecer no tribunal em Dacar e, rejeitando representação legal, forçou o tribunal a encarregar três advogados da sua defesa, segundo a agência France Presse (AFP).

A próxima sessão foi marcada para o dia 07 de setembro e o juiz que preside ao processo, Gberdao Gustave Kam, disse que os advogados designados têm o dever de "defender os interesses de Hissène Habré, mesmo contra a sua vontade", acrescentando desejar "um julgamento justo".

Após ouvir a decisão, o ex-Presidente levantou-se, ergueu o punho fechado e fez um sinal de vitória perante os apoiantes presentes.

Habré, outrora conhecido como o "Pinochet Africano", é acusado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e tortura durante o seu regime, mas recusa reconhecer o que considera ser um tribunal ilegítimo.

Se for condenado, o homem que governou o Chade entre 1982 e 1990 arrisca uma sentença entre 30 anos de prisão e trabalhos forçados perpétuos.

O adiamento levantou preocupações entre os representantes da acusação, com o advogado francês William Bourdon a avisar que este poderia permitir ao acusado "sabotar e paralisar" o tribunal.

Reed Brody, da organização de direitos humanos Human Rights Watch, afirmou que as vítimas estavam consternadas pela decisão, mas que o mesmo apenas era um pequeno passo atrás numa luta por justiça que se prolonga há 25 anos.

"As vítimas ficaram obviamente muito desapontadas pelo adiamento, mas há 25 anos que lutam para levar este caso a tribunal, e mais 45 dias não mudam nada na sua longa marcha até à justiça", declarou o ativista, que trabalha com as vítimas do ex-Presidente desde 1999, acrescentando que "embora o regime de Hissène Habré tenha detido milhares de pessoas sem julgamento ou até mesmo sem advogado, num julgamento realizado em nome da justiça só é adequado que o próprio Habré seja defendido da melhor forma possível".

Adiado durante anos pelo Senegal, onde Habré vive desde que aí se exilou após ter sido derrubado em 1990 por um golpe de estado, o julgamento representa um marco histórico, uma vez que até agora os líderes africanos acusados de atrocidades têm sido julgados por tribunais internacionais, fora do continente africano.

Grupos de direitos humanos estimam que cerca de 40.000 chadianos terão sido mortos pelo seu regime, na repressão contra opositores políticos e grupos étnicos rivais.

Lusa

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