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Novo cessar-fogo humanitário decretado pela coligação no Iémen

A coligação liderada pela Arábia Saudita, satisfeita com o relativo êxito no combate aos rebeldes no Iémen, anunciou hoje uma pausa de cinco dias nos bombardeamentos para facilitar o encaminhamento de ajuda humanitária, após duas tentativas falhadas.

© Khaled Abdullah Ali Al Mahdi

O cessar-fogo no país em guerra deve iniciar-se na segunda-feira, às 00:00 locais (às 22:00 de domingo em Lisboa), mas a coligação reserva-se durante cinco dias o direito de retaliar a qualquer "atividade ou movimentos militares" dos rebeldes xiitas Huthis, segundo um comunicado citado pela agência oficial saudita SPA.

O texto precisa que a trégua foi decretada a pedido do Presidente iemenita, Abdrabuh Mansur Hadi, refugiado em Riade juntamente com uma boa parte do seu executivo, depois de ter fugido do país, no fim de março, devido ao avanço dos rebeldes sobre Aden, a segunda maior cidade do país, situada no sul do seu território.

Hadi queria um cessar-fogo para "encaminhar e distribuir o máximo de ajuda humanitária e médica" à população em dificuldades, refere o comunicado saudita.

Os Huthis pró-iranianos ainda não reagiram ao anúncio da coligação árabe comandada pela Arábia Saudita, que iniciou no final de março uma guerra contra esse grupo rebelde para o impedir de assumir o controlo total do Iémen, país seu vizinho.

A decisão de declarar uma trégua ocorreu após o êxito das forças lealistas em Aden que conseguiram, ao fim de quatro meses de violentos combates, retomar a cidade aos rebeldes que agora apenas detêm algumas posições no norte do país.

Foi graças a uma ofensiva levada a cabo por tropas iemenitas recém-equipadas pela coligação com armamento e viaturas, e graças ao apoio aéreo, que os rebeldes foram expulsos da cidade.

Este cessar-fogo surge um dia após a morte de 35 civis num ataque aéreo da coligação na cidade de Mokha (sudoeste), um bombardeamento classificado por alguns habitantes como um erro e atribuído, por outros, à proximidade de posições rebeldes de uma zona residencial.

Mais que os combatentes no terreno, os civis pagaram, direta ou indiretamente, um pesado preço por este conflito desencadeado pela ingerência no país dos Huthis que, com a ajuda de militares que se mantiveram fiéis ao ex-presidente iemenita Ali Abdallah Saleh, se apoderaram, desde julho de 2014, de grandes parcelas do território, incluindo a capital, Sanaa.

Os civis representam mais de metade dos 3.700 mortos em quatro meses de conflito, segundo a ONU.

Milhões de iemenitas estão, além disso, privados de alimentos, água e eletricidade, e o sistema de saúde ruiu, bem como o da educação.

Na sexta-feira, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) emitiu um apelo para a contenção de todas as partes em conflito, lamentando ter "cada vez mais dificuldades" em ajudar os civis, ao passo que as necessidades aumentam.

"Nas últimas duas semanas, os combates no terreno intensificaram-se nas regiões de Aden e de Taëz", no sul do país, disse o chefe da delegação do CICV no Iémen, Antoine Grand.

"Temos cada vez mais dificuldades para chegar às zonas atingidas e para continuar a levar bens vitais e retirar os feridos e os mortos", acrescentou.

De acordo com o responsável, o sofrimento dos civis "está a atingir níveis sem precedentes" devido a graves faltas de água, víveres e combustível no país.

A 21 de julho, a ONU entregou, por via marítima, um carregamento de ajuda humanitária em Aden, o primeiro das Nações Unidas a chegar desta forma à cidade, desde o início do conflito, em março.

O êxito militar dos pró-Hadi em Aden permitiu reabrir o aeroporto internacional da cidade, que pôde também receber esta semana três aviões militares sauditas e um dos Emirados Árabes Unidos carregados de ajuda humanitária.

Duas tréguas anteriormente negociadas pela ONU não foram respeitadas, os beligerantes não cessaram os combates.

Lusa

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