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Polícia carregou contra manifestantes que protestavam em Luanda

A polícia angolana carregou hoje sobre algumas dezenas de manifestantes que exigiam em Luanda a libertação de 15 ativistas detidos desde junho, havendo ainda denúncias, não confirmadas oficialmente, de detenções.

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O protesto concretizou-se pelas 16:00 (mesma hora em Lisboa), no Largo da Independência, com os jovens manifestantes gritando por "Liberdade" e a entrarem naquela área, que registava forte aparato policial e onde já decorria uma ação das estruturas juvenis do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, o partido no poder), envolvendo cerca de duas centenas de jovens.

A aproximação entre os manifestantes, do autodesignado Movimento Revolucionário, e aquela juventude partidária levou a polícia de intervenção colocada no local - e que seguia a aproximação destes elementos - a carregar sobre os mesmos, recorrendo a equipas cinotécnicas, conforme a Lusa constatou no local, por entre momentos de forte tensão.

O segundo comandante da Polícia Nacional, Salvador Rodrigues, tinha já admitido durante a manhã, questionado pela Lusa, que desconhecia qualquer manifestação autorizada pelo Governo Provincial de Luanda para hoje.

Por toda a cidade há um forte dispositivo policial, mobilizando diversas forças de segurança e militares.

A Lusa tentou obter uma posição sobre estes confrontos e denúncias de detenções de manifestantes junto do Comando Geral da Polícia Nacional, mas tal não foi possível até ao momento.

Os manifestantes colocaram-se depois em fuga pelas ruas da cidade.

Uma "manifestação pacífica" de ativistas angolanos sob o lema "Chega de prisões arbitrárias e perseguições políticas em Angola" estava convocada para hoje, para exigir a libertação de outros 15 jovens que estão detidos preventivamente desde 20 de junho, suspeitos de prepararem um golpe de Estado.

Os manifestantes de hoje, algumas dezenas, conseguiram entoar cânticos de protesto à volta do largo e no interior do mesmo, durante alguns minutos, até à intervenção policial.

Outros jovens, afetos ao MPLA, desfilaram em caravana motorizada, em apoio ao Governo, à volta do mesmo largo, onde decorria ainda a venda de artesanato e música.

Após a intervenção policial, a Lusa foi obrigada a retirar-se do local por questões de segurança.

A JMPLA (Juventude do MPLA) promoveu durante o dia, no Largo da Independência, uma ação para assinalar o dia da mulher africana (31 de julho) e de prevenção rodoviária.

Em declarações aos jornalistas no local, antes da concretização do protesto, o secretário provincial de Luanda daquela organização juvenil justificou esta ação também como forma de "repúdio" à "pseudomanifestação" da tarde, acusando que visava promover a "instabilidade política do país".

Na mesma declaração, Tomás Bica Mumbundo criticou a presença em Luanda de Ana Gomes, a eurodeputada portuguesa que se encontra de visita à capital angolana esta semana.

"Lamentamos imenso pelo facto de termos tomado conhecimento através das redes sociais de uma eurodeputada que veio para Angola, que nos pensamos que pudesse trazer aqui uma mensagem de paz tendo em conta o sofrimento que o povo angolano já passou por 30 anos de guerra, mas infelizmente recebemos mensagens de instigação à violência, à insurreição e à confusão", disse.

Aludindo à "experiencia" de protestos anteriores protagonizados por elementos afetos ao Movimento Revolucionário, que desde 2011 contestam o Governo, o secretário provincial da Juventude do MPLA (estrutura que organizou ação) afirmou que o "fim último" da manifestação era "a promoção do vandalismo e da arruaça".

Lusa

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