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Camião português intercetado em Calais com 12 clandestinos

Doze migrantes foram intercetados num camião frigorífico de mercadoria português no Eurotúnel, em Calais, no norte de França, numa tentativa de chegarem ao Reino Unido, relatou à agência Lusa o presidente da ANTRAM.

Arquivo SIC

Em declarações à Lusa, Gustavo Paulo Duarte, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), disse que também os camionistas portugueses estão a sofrer alguns problemas naquele principal ponto de ligação do continente europeu a Inglaterra, avançando que a sua frota teve recentemente o caso de 12 migrantes intercetados num camião.

"Eram 12 migrantes. Entraram num camião frigorífico tapados com cartão, na parte de cima da mercadoria de paletes de fruta. Tenho dificuldade em conceber como é que alguém consegue sobreviver a temperaturas de um grau [centígrado] durante tanto tempo, ao pé dos evaporadores de frio por cima da fruta. Imagino, por isso, que se tapam com cartão, é bastante complicado", declarou à Lusa Gustavo Paulo Duarte.

O presidente da ANTRAM não escondeu a sua preocupação com estas pessoas, considerando que, pelo objetivo de chegarem à Europa, o fazem "em condições sub-humanas", mas lembrou o transtorno que causa aos camionistas e sobretudo às cargas que transportam, que "muitas vezes" chegam a ficar "danificadas e com dejetos" muitas vezes.

Durante a noite passada, cerca de 200 migrantes, que procuravam entrar no Eurotunnel, em Calais, no norte de França, na esperança de chegarem ao Reino Unido, foram bloqueados pela polícia.

Gustavo Paulo Duarte adiantou que a sua empresa foi notificada, tendo recebida uma carta por cada migrante que entrou no seu camião e que está a decorrer um processo.

"Existe condescendência nas primeiras [multas]. A partir daí, se o caso for reincidente, aplicam-se multas altíssimas", afirmou.

Gustavo Paulo Duarte alertou que os associados da ANTRAM têm sentido "alguns problemas em Inglaterra", nomeadamente na passagem de migrantes para aquele país.

"O problema que tem de ser resolvido. As coimas em território inglês são muito elevadas, na minha empresa já tive situações destas, estamos a falar de coimas de três mil euros por cada migrante a bordo de uma viatura", avançou.

O mesmo responsável disse ainda tratar-se de uma situação que os motoristas não conseguem controlar, já que as pessoas entram a meio da noite: "vão nos chassis dos camiões ou dentro da carga, acaba por ser difícil de controlar toda esta situação".

Gustavo Paulo Duarte reconheceu que só o policiamento no local poderá fazer a diferença para estes casos, adiantando que a associação tem estado em contacto permanente com a sua congénere francesa, mas que de Portugal não se pode fazer muito a não ser alertar e informar os associados.

"A questão da migração na Europa é um problema que se está a alargar. Inglaterra é um destino de muitos migrante e o policiamento e controlo à fronteira têm de ser reforçados", vincou, lembrando que todos os portos com ligação a Inglaterra são propícios à entrada de migrantes, mas Calais é a ligação mais utilizada.

Lusa

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