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Cervejaria portuguesa em Nova Iorque conquista crítica

O novo restaurante do 'chef' lusodescendente George Mendes em Nova Iorque, Lupulo, conquistou a crítica norte-americana nos três meses desde que abriu.

© Rafael Marchante / Reuters

A crítica da revista New Yorker, Hannah Goldfield, começa o seu texto lembrando as frases de clientes que ouviu em duas visitas ao restaurante, garantindo, por exemplo, que as sardinhas que provavam eram das melhores coisas que já tinham comido.

Goldfield diz depois que "seria uma pena desperdiçar" o molho dos caracóis, que os carabineiros vindos de Portugal "têm um perfume quase floral", um "sabor luxuoso e amanteigado" e termina elogiando o serviço.

"O pessoal gracioso não te dá nenhuma da atitude 'devias sentir-te com sorte por estares aqui', tão prevalente nos restaurantes hoje em dia. A ironia é: devíamos", escreve.

Este é o segundo restaurante na cidade de George Mendes, que em 2009 abriu o Aldea, detentor de uma estrela do guia Michelin, que distingue os melhores restaurantes do mundo.

Para o seu segundo espaço, Mendes quis recriar em Nova Iorque uma cervejaria portuguesa, tendo completado o espaço com um grande bar em madeira no centro, azulejos brancos e azuis na parede e galos de Barcelos nas prateleiras.

O 'chef' escolheu o nome Lupulo por ser o nome em português do ingrediente utilizado para dar amargo e aroma à cerveja.

O The New York Times sublinha esta decoração e diz que o restaurante "é uma homenagem à herança" de Mendes, lembrando o passado do lusodescendente, que nasceu em Danbury, Connecticut, filho de emigrantes beirões de Ferreirós do Dão.

Na crítica publicada na semana passada, o jornal diz que "se George Mendes não tivesse um domínio tão forte dos sabores e aromas de Portugal, o rumo do Lupulo podia ter lhe escapado".

O New York Post diz que o espaço "é o novo restaurante mais sexy de Nova Iorque", garante que "aterrou na cidade com base num sonho impossível" e que "é o restaurante mais entusiasmante a abrir na cidade desde o Santina", um italiano que abriu no ano passado.

"Mendes opta por uma abordagem iluminada de snacks de bar antigos, elevando-as até à glória através de uma técnica de mestre, como com os pastéis de bacalhau que são misturados até uma rara e cremosa consistência", escreve Steve Cuozzo.

O restaurante fica no bairro de Chelsea, no cruzamento da Rua 29 com a Sexta Avenida, e representa um regresso às origens para Mendes numa altura em que Manhattan estava sem restaurantes exclusivamente portugueses.

A Bloomberg lembra esse facto, escrevendo que "a comida portuguesa não é bem representada em Nova Iorque e o Lupulo vai além do que lhe é exigido para mostrar uma cozinha portuguesa simples e rústica, como é o caso da açorda com um delicioso sabor a camarão".

Sites especializados, como o GrubStreet e o Eater, também exploram o tema da popularidade da culinária portuguesa.

O conceituado Eater.com diz que "nomear um 'chef' espanhol famoso não é difícil", mas que "fazer o mesmo com um português não é tão fácil, pois não?"

O jornalista Ryan Sutton propõe depois que Mendes, com este novo espaço, se pode tornar esse embaixador internacional da culinária portuguesa.

"Ele desafiou a tradição quando abriu o Aldea, combinando as sensibilidades portuguesas com as suas técnicas modernas para criar napoleões de sardinha e esferas de algas. Mas essa não é necessariamente a forma mais democrática de introduzir uma culinária sub-representada a uma cidade de céticos. Agora temos o mais barato, embora igualmente ambicioso, Lupulo", escreve.

George Mendes é também autor do livro "My Portugal: Recipes and Stories", lançado no ano passado.

Em outubro, vai dar um seminário sobre gastronomia e cervejas portuguesas durante o Festival de Comida e Vinho de Nova Iorque, que decorre em Manhattan entre os dias 15 e 18 desse mês.

Lusa

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