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Obama diz que rejeição do acordo nuclear iraniano pelo Congresso dos EUA é um voto para a guerra

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou hoje que uma eventual rejeição pelo Congresso norte-americano do acordo nuclear alcançado entre o Irão e as potências internacionais levaria a uma guerra no Médio Oriente.

Obama pronunciava um discurso na American University de Washington, no qual tentou enumerar as vantagens do acordo, alcançado no passado dia 14 de julho em Viena, e reunir apoios.

"Uma rejeição do acordo pelo Congresso deixaria qualquer administração norte-americana absolutamente determinada em impedir que o Irão adquira uma arma nuclear perante uma única opção: uma outra guerra no Médio Oriente. Não digo isto para ser provocador. É um facto", declarou o chefe de Estado norte-americano democrata.

Atualmente, as duas câmaras do Congresso norte-americano (Senado e Câmara dos Representantes) são lideradas pelo Partido Republicano.

Obama sublinhou que a discussão no Congresso sobre o acordo nuclear com o Irão é o mais importante debate, em matéria de política externa, desde a autorização do uso da força militar no Iraque em 2002.

O governante advertiu os legisladores norte-americanos que caso rejeitem este acordo que restringe o programa nuclear de Teerão irão destruir a credibilidade internacional de Washington.

"Se o Congresso matar este acordo, vamos perder mais do que apenas as restrições sobre o programa nuclear do Irão ou as sanções que foram meticulosamente construídas", vamos perder algo que é mais precioso. A credibilidade dos Estados Unidos como líder da diplomacia. A credibilidade dos Estados Unidos como a âncora do sistema internacional", reforçou Barack Obama.

O Presidente norte-americano nomeou Israel como o único país que manifestou publicamente a sua oposição ao acordo nuclear, assegurando, na mesma ocasião, que Teerão será sancionado caso os termos do acordo não forem respeitados.

"Este acordo não é apenas a melhor escolha entre as alternativas, é o mais importante acordo de não-proliferação alguma vez negociado", referiu.

"E, porque este acordo é importante, todas as nações do mundo que comentaram publicamente o acordo - com a exceção do governo israelita -- manifestaram o seu apoio", destacou o governante, numa menção ao aliado tradicional dos Estados Unidos.

Ainda na American University de Washington, onde em junho de 1963 o então Presidente John F. Kennedy pronunciou um importante discurso sobre a necessidade da diplomacia e em defesa de um tratado sobre a proibição de ensaios nucleares (que seria assinado pouco tempo depois), Barack Obama reconheceu a possibilidade de o Irão poder usar fundos desbloqueados, através do levantamento das sanções, para financiar "organizações terroristas", argumentando, no entanto, que isso é preferível ao desenvolvimento de armas nucleares.

"A verdade é que o Irão sempre encontrou uma forma de financiar esses esforços", disse o governante, que acredita que a maior parte do dinheiro libertado irá ser utilizado pelas autoridades iranianas para melhorar a situação da população.

Segundo Obama, mesmo "um regime repressivo como é o do Irão não pode ignorar as expectativas" suscitadas junto da população.

Após 21 meses de negociações, o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança -- Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China -- e a Alemanha) e o Irão alcançaram a 14 de julho deste ano na capital austríaca um acordo que visou acabar com 13 anos de tensões acerca do dossiê nuclear iraniano.

O acordo impõe limites estritos às atividades nucleares do Irão durante pelo menos uma década e apela para o controlo rigoroso das Nações Unidas, esperando as potências mundiais que torne praticamente impossível a possibilidade de Teerão criar uma bomba atómica.

Em troca, serão levantadas as sanções internacionais, que cortaram num quarto as exportações de petróleo do quinto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e estrangularam a economia iraniana, e serão desbloqueados milhares de milhões de dólares em ativos que estavam congelados.

Lusa

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