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Crise política na Guiné-Bissau pode levar a queda do Governo

Nas últimas semanas, a tensão política na Guiné-Bissau entre o Presidente e o primeiro-ministro tem aumentado. O chefe do Executivo, Domingos Simões Pereira, vai hoje dirigir uma mensagem ao país.

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau Domingos Simões Pereira, numa visita a Portugal em 2014.

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau Domingos Simões Pereira, numa visita a Portugal em 2014.

© Rafael Marchante / Reuters

Hoje, a partir das 09:00 (10:00 em Lisboa), o primeiro-ministro "irá ter vários encontros com líderes dos partidos políticos [com assento parlamentar] e comunidade internacional e no fim fará uma comunicação à Nação", refere o gabinete de Simões Pereira, em comunicado.

De acordo com fontes diplomáticas que vão participar nesses encontros, as reuniões devem decorrer durante toda a manhã.

Fontes diplomáticas e de diferentes autoridades do Estado disseram à Lusa que o Presidente da República está a manter encontros desde terça-feira sobre a possibilidade de demitir o Governo por dificuldades de relacionamento com o seu líder ainda por esclarecer.

A situação está a deixar incrédulos diversos representantes da comunidade internacional contactados pela Lusa em Bissau e que têm apoiado o executivo de Simões Pereira - anunciaram mil milhões de euros de intenções de apoio numa mesa redonda de doadores realizada em março, em Bruxelas.

Um desses representantes lamentou à Lusa a possibilidade de o país desperdiçar a estabilidade política atual por razões "aparentemente levianas" - ligadas à esfera do relacionamento pessoal.

Outro diplomata, Ovídio Pequeno, representante da União Africana em Bissau, disse à Lusa que a harmonização tem que ser feita através do diálogo.

"Ninguém vai exigir que as pessoas tenham que ser amigas. Mas quando estamos ao nível do aparelho de Estado, temos que nos cingir a esse trabalho", referiu.

Internamente, o Governo recebeu desde junho moções de confiança do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e do Parlamento.

A Assembleia Nacional Popular (ANP), o Parlamento guineense, vai também promover durante a manhã um debate de urgência sobre a situação política no país.

O presidente da ANP, Cipriano Cassamá, disse na quarta-feira perante os deputados que "o Governo está em perigo", depois de ele próprio ter mantido uma reunião com o Presidente da República.

A assembleia aprovou por unanimidade a 25 de junho uma moção de confiança no Governo e Cassamá considerou na terça-feira ser "uma vergonha" a possibilidade de o Presidente demitir o primeiro-ministro.

Uma fonte da presidência guineense admitiu à Lusa a possibilidade de o chefe de Estado ouvir hoje os partidos com representação na Assembleia.

Antes de tomada de qualquer decisão de fundo, o Presidente, à luz da Constituição do país, é obrigado a auscultar as forças vivas, nomeadamente todos os partidos legalmente constituídos, bem como o Conselho de Estado.

O chefe de Estado foi ao Parlamento no início de julho para dirigir um discurso à nação em que desmentiu rumores sobre a possibilidade de demitir o Governo, prometendo apoiá-lo e defender a estabilidade no país - mas ao mesmo tempo deixando no ar a ideia de que prefere ver feita uma remodelação governamental.

Apesar de Domingos Simões Pereira ter declarado abertura ao diálogo e disponibilidade para mudar o elenco governativo, ainda não houve entendimento entre ambos.

Com Lusa

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