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Proibida marcha em Luanda de familiares de ativistas detidos

A "marcha pacífica" anunciada para sábado, em Luanda, pelas mães e familiares dos 15 jovens ativistas angolanos detidos desde junho, por alegadamente estarem a preparar um golpe de Estado em Angola, não foi autorizada pelo governo provincial.

Manifestação em Lisboa pela libertação dos ativistas angolanos.

Manifestação em Lisboa pela libertação dos ativistas angolanos.

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A informação foi prestada hoje à Lusa por estes familiares, explicando que o Governo Provincial de Luanda comunicou que a marcha, que deveria percorrer várias artérias de Luanda até à entrega de uma petição na Procuradoria-Geral da República, "não poderá ter lugar com o itinerário proposto" pela proximidade (100 metros, em termos legais) a edifícios de vários órgãos de soberania.

"Continuamos a querer levar a cabo a marcha, mesmo que não seja para ir até à procuradoria. Vamos falar com as outras mamãs e no sábado decidimos. Mas a nossa intenção é fazer à mesma", disse à Lusa Isabel Correia, mãe de Osvaldo Caholo, tenente das Forças Armadas Angolanas, um dos jovens detidos.

A marcha, convocada para exigir a libertação dos jovens, tem saída prevista do Largo da Independência, no centro de Luanda, pelas 13:00 (mesma hora em Lisboa), mas o restante trajeto e mesmo a sua realização é agora desconhecido.

"Não queremos fazer nada de confusão, não temos armas, não temos nada. Só queremos os nossos filhos soltos", insistiu Isabel Correia.

Depois de uma manifestação que a 29 de julho terminou com uma carga policial e de um concerto com cerca de 200 pessoas no último domingo, - a concretizar-se - esta será a terceira iniciativa do género a pedir a libertação dos jovens, em cerca de dez dias, em Luanda.

Segundo informação anterior enviada à Lusa pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, os jovens detidos desde 20 de junho - estudantes e licenciados - estariam a preparar um atentado contra o Presidente José Eduardo dos Santos e outros membros dos órgãos de soberania, num alegado golpe de Estado, mas ainda não têm qualquer acusação formada.

"Olha, eu não sei, mas parece que em Angola se faz sem arma. Nos outros países é armado, chegam tropas para fazer o golpe de Estado. Aqui faz-se com livro e com uma lapiseira. E a pensar também", ironizou, anteriormente, Isabel Correia.

Associados ao designado Movimento Revolucionário, os jovens detidos alegam que se encontravam regularmente para discutir intervenção política e cívica, inclusive com ações de formação, como a que decorria na altura de detenção e que envolveria também a leitura e análise de um livro sobre estas matérias.

O Governo angolano, acompanhado pela PGR, nega que estes elementos sejam presos políticos, como tem sido denunciado por organizações internacionais.

Os ativistas foram distribuídos por estabelecimentos prisionais em Viana (quatro), Calomboloca (sete) e Caquila (quatro), na região de Luanda, enquanto decorre o processo de investigação.

Este caso tem sido alvo de interesse nacional e internacional, com vários pedidos públicos de organizações, artistas, escritores e ativistas para a sua libertação.

De acordo com a PGR, os detidos em prisão preventiva são Henrique Luaty Beirão, Manuel "Nito Alves", Afonso Matias "Mbanza-Hamza", José Gomes Hata, Hitler Jessy Chivonde, Inocêncio António de Brito, Sedrick Domingos de Carvalho, Albano Evaristo Bingocabingo, Fernando António Tomás "Nicola", Nélson Dibango Mendes dos Santos, Arante Kivuvu Lopes, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias, Domingos José da Cruz e Osvaldo Caholo (tenente das Forças Armadas Angolanas).

Lusa

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