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Politólogo diz que busca de apoio por Dilma Rousseff é válida, mas sair da crise é difícil

A tentativa da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, em buscar apoio em reuniões com membros da sua coligação governamental e movimentos sociais é "válida", mas sair da crise política é "difícil", afirmou à Lusa o politólogo Aldo Fornazieri.

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© Ueslei Marcelino / Reuters

"Dilma [Rousseff] tardiamente se põe em campo para tentar reconstruir as suas bases e dar um novo rumo ao Governo", disse à Lusa o professor da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).

A crise política, segundo Aldo Fornazieri, é "evidente" e ameaça se tornar institucional. E isso acontece porque o Governo não consegue se refazer e tomar iniciativas, e também porque a Câmara dos Deputados atua contra a reforma fiscal o que, além de instalar uma ingovernabilidade, piora a situação económica do país e causa insegurança nos investidores.

O politólogo realçou que não há um consenso na oposição e que as diferentes posições dentro da principal formação política desta área, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB, de Aécio Neves), vão desde a anulação das eleições que reconduziram aos seus cargos a Presidente e o vice Michel Temer até à defesa da manutenção de Rousseff.

Mesmo dentro do Partido dos Trabalhadores (PT, de Rousseff) há divergências que prejudicam a atuação do Governo, como os parlamentares que votam contra o que defende a Presidência, e a inexistência de uma liderança que pudesse garantir a governabilidade.

O PT, segundo Aldo Fornazieri, vive uma crise "gravíssima", pois está desmoralizado, é visto como corrupto e alvo de rejeição.

A tendência, afirmou, é que o PT seja derrotado nas eleições municipais de 2016 e chegue a 2018 sem condições de disputar as Presidenciais.

Para que o Brasil consiga sair da atual crise política, Aldo Fornazieri afirma ser necessário garantir uma base mínima de apoio no Congresso e um diálogo com opositores e com a coligação, mas não apenas com a preocupação em problemas imediatos.

"A oposição deve parar de conspirar e prejudicar a governabilidade do país. Se for assim, o Brasil consegue caminhar até 2018 [quando haverá novas eleições]", afirmou o politólogo, ao considerar que o problema não é só conjuntural, e há um défice fiscal que precisa ser solucionado para o bem do país, e não somente para o Governo de Rousseff.

Outro fator que prejudica o Governo de Rousseff são os erros cometidos na condução política, segundo o politólogo, e a impossibilidade de criar um contraponto às más notícias.

Quando a diminuição da expetativa de excedente fiscal foi anunciada, por exemplo, a Presidência poderia ter divulgado outra medida para recuperar a confiança dos investidores, como o corte de gastos, a redução de ministérios ou a venda de ativos, mas isso não foi feito.

Aldo Fornazieri também afirmou que o protesto do próximo domingo, dia 16, contra o Governo de Rousseff pode piorar a crise política, caso seja massivo e os partidos de oposição consigam participar como atores importantes. Caso contrário, pode significar um "balão de oxigénio" à Presidência.

Dilma Rousseff agendou para esta semana reuniões com movimentos sociais e membros da coligação de Governo à procura de apoio para combater a crise política que se instala no país.

Os encontros com membros de outros partidos da coligação de Governo foram idealizados na noite de domingo, durante uma reunião da Presidente com 13 ministros, o vice-presidente, Michel Temer, e líderes do Partido dos Trabalhadores (PT, de centro-esquerda), no Legislativo.

A intenção do Governo é recompor a base de apoios no Legislativo para evitar derrotas em importantes votações nas próximas semanas, incluindo temas ligados a impactos fiscais, à reforma política, à aprovação das contas do Governo de Rousseff e até a um eventual processo de 'impeachment' (afastamento compulsivo do cargo).

Hoje, a Presidente terá um encontro com a Marcha das Margaridas, de trabalhadoras rurais, e, na quinta-feira, com a União Nacional dos Estudantes e com o Movimento Sem Terra, segundo a Folha de São Paulo.

Lusa

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