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Líder do parlamento da Guiné-Bissau pede ao Presidente que oiça o povo

O líder do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá, apelou hoje ao Presidente do país, José Mário Vaz, para que "baixe as armas e oiça o povo" que, diz, clama pela paz e estabilidade.

No seu discurso de encerramento das sessões plenárias que vinham decorrendo desde o dia 18 de julho no Parlamento - que entra de férias até novembro - Cipriano Cassamá apelou a José Mário Vaz "como o mais velho que é" para que escute os clamores do povo.

"Vou-te dizer em público o que já te tinha dito em privado: não há guerras pessoais entre líderes que o povo ganhe. Baixa as armas, que têm sido as tuas palavras, ouve e escuta o povo", defendeu Cassamá.

Com a voz embargada, visivelmente emocionado, o líder do Parlamento guineense afirmou ser "incerto" o futuro que se espera do país o que, disse, já não se pode aplicar do seu comportamento enquanto dirigente.

"Aqui estamos firmes e determinados a que se respeite o povo e que se pense pelo povo", pediu Cassamá, que ainda não sabe quais os passos a serem dados pelo Presidente do país depois de demitir o Governo.

Na sua primeira comunicação logo na abertura dos trabalhos parlamentares, Cipriano Cassamá afirmou não ter dúvidas em como o próximo passo de José Mário Vaz seria "a dissolução do Parlamento".

Nesse aspeto, vários deputados, sobretudo, os da bancada que suportava o Governo demitido, advogam pela realização de eleições gerais, legislativas e presidenciais.

Quanto ao facto de mais uma vez um Governo eleito não ter chegado ao final do seu mandato, Cipriano Cassamá disse estar triste, embora esteja disponível para encontrar "uma solução de consenso" para o futuro do país.

Sobre as acusações que lhe foram feitas pelo chefe de Estado - por ter revelado uma conversa privada aos deputados, na qual José Mário Vaz lhe terá dito que perdeu a confiança no primeiro-ministro -, Cipriano Cassamá destacou ter-se limitado apenas a cumprir "com os seus deveres constitucionais".

"Ninguém conhece o Cipriano neste país como mentiroso", sublinhou Cassamá, merecendo a solidariedade da maioria de deputados.

Lusa

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