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Embaixada dos Estados Unidos em Havana é hoje atração turística

A cidade de Havana vive hoje a "ressaca" das cerimónias de reabertura da embaixada dos Estados Unidos em Cuba, marcadas na sexta-feira pelo içar da bandeira norte-americana na presença do secretário de Estado, Jonh Kerry.

© Alexandre Meneghini / Reuters

A bandeira dos Estados Unidos está içada desde sexta-feira no edifício da embaixada que ostenta na fachada a inscrição em letras de bronze: "Embassy of the United States" (Embaixada dos Estados Unidos), junto ao escudo norte-americano.

Este sábado, os símbolos transformaram-se em atração para dezenas de turistas estrangeiros, incluindo visitantes dos Estados Unidos, que, segundo a agência EFE, aproveitam a ocasião para tirar fotografias em frente à bandeira e à embaixada.

"Viemos aqui para fotografarmos a bandeira a ondular porque hoje não há tanta gente", disseram Anne e Richard, dois jovens norte-americanos que compraram os bilhetes de avião para Havana quando foi conhecida a data da reabertura oficial da embaixada dos Estados Unidos em Cuba.

Com a mesma intenção estiveram hoje no local grupos de turistas brasileiros, franceses e holandeses.

A cerimónia oficial de 14 de agosto é notícia de destaque nas edições de hoje nos jornais cubanos.

"Começa um longo e complexo caminho" titula o Granma, o órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, no poder desde 1959.

"É possível construir relações civilizadas entre Cuba e os Estados Unidos" escreve o jornal Juventud Cubana, que também pertence ao único partido do país.

Ambos os jornais reproduzem na íntegra os discursos de John Kerry e as declarações da conferência de imprensa em que estiveram presentes o secretário de Estado norte-americano e Bruno Rodriguez, chefe da diplomacia cubano.

Terminado o processo que conduziu ao restabelecimento de relações diplomáticas iniciam-se agora os contactos sobre o fim do embargo económico e comercial norte-americano a Cuba, a devolução dos terrenos onde está instalada a Base Naval de Guantánamo reclamada por Havana, além de assuntos relacionadas com direitos humanos.

A questão dos direitos humanos esteve presente durante a visita de John Kerry, que pediu a Cuba mudança de atitude.

Kerry reuniu-se em privado com alguns dissidentes na residência do novo encarregado de Negócios dos Estados Unidos, Jeffrey DeLaurentis.

Mesmo assim, dissidentes cubanos e organizações de direitos humanos de Havana criticaram os Estados Unidos e rejeitaram os encontros, como as "Damas de Blanco", por não terem sido convidados para a cerimónia oficial na embaixada dos Estados Unidos.

As principais críticas partiram de Berta Soler, líder das "Damas de Blanco", e do diretor da plataforma Sats, Antonio González- Rodiles.

Entretanto, o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez, disse que Cuba pretende discutir "todos os assuntos" com os Estados Unidos, incluindo direitos humanos.

"Nós temos conceitos diferentes sobre soberania, democracia e direitos humanos", afirmou Rodriguez na conferência de imprensa que decorreu na sexta-feira, em Havana.

O próximo contacto diplomático entre os dois países está agendado para os dias 10 e 11 de setembro, em Havana.

Lusa

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