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Polícia nepalesa detém manifestantes que tentavam impor greve nacional

A polícia nepalesa deteve hoje dezenas de manifestantes que tentavam impor uma greve nacional, a mais recente paralisação de uma série de protestos contra a nova Constituição, noticiou a Agência France-Presse (AFP).

© Navesh Chitrakar / Reuters

"Prendemos 51 quadros em Katmandu que tentavam bloquear estradas, vandalizar veículos e fechar estabelecimentos comerciais", disse à AFP o porta-voz da polícia Bishwo Raj Pokharel.

De acordo com a Constituição, elaborada após anos de disputas políticas, o Nepal será reestruturado num estado federal com seis províncias.

Mas alguns legisladores e os seus apoiantes apelaram para a realização de uma greve nacional, alegando que a lei fundamental discrimina comunidades historicamente marginalizadas.

"A reconstrução do Estado que consta do projeto está longe de responder às aspirações do povo", disse Pampha Bhusal, porta-voz do movimento CPN-Maoísta, uma fação dissidente do partido maoísta.

"Não assegura a participação política dos grupos marginalizados nos organismos estatais", acrescentou.

Centenas de nepaleses protestaram na semana passada contra a Constituição, lei há muito esperada, em manifestações que acabaram por provocar confrontos violentos, incluindo dois mortos.

O acordo político sobre as fronteiras foi obtido após o devastador sismo de abril passado que ajudou a pôr um fim à briga aparentemente interminável entre partidos rivais.

Os trabalhos para a elaboração de uma nova Constituição começaram em 2008, sucedendo a uma longa década de insurgência maoísta que causou a morte a perto de 16.000 pessoas e derrubou a monarquia hindu de 240 anos.

No passado domingo foi anunciado que os partidos políticos nepaleses tinham assinado um acordo considerado decisivo e que abria caminho à redação de uma nova Constituição, criando uma divisão do território em várias províncias.

Na altura, o primeiro-ministro, Sushil Koirala, escreveu na rede social Twitter que estavam garantidas "uma Constituição federal e a demarcação de fronteiras".

Após o devastador sismo de abril, os partidos políticos nepaleses tinham selado, em junho, um acordo considerado histórico que visava dividir o território em oito províncias, mas a operação para traçar fronteiras, tida como delicada, ficou programada para mais tarde.

O acordo que abre caminho a toda a elaboração da Constituição foi assinado no dia 08 e prevê a criação de seis províncias que partilharão, cada uma, fronteira com a Índia.

Lusa

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