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Ministro turco criticado depois de afirmar querer morrer como um mártir

Um ministro da Turquia está a ser hoje criticado nas redes sociais por afirmar que quer morrer como um mártir, numa altura em que ocorrem no país confrontos diários entre rebeldes curdos e as forças de defesa.

© Ahmed Saad / Reuters

"Se Deus quiser, quero morrer como um mártir para a minha religião, Nação e país", é a frase proferida pelo ministro da Energia, Taner Yildiz, aos jornalistas à margem de uma conferência de imprensa.

Questionado pelos jornalistas, o ministro, um crente muçulmano devoto, explicou que aquele desejo deve ser entendido no plano filosófico.

No passado dia 24 de julho, Ancara lançou uma "guerra contra o terrorismo", contra os grupos extremistas Estado Islâmico e PKK, mas essencialmente contra os rebeldes curdos, violando neste caso um cessar-fogo que vigorava desde 2013.

Desde então, os confrontos entre os rebeldes curdos do PKK e as forças de defesa turcas são quase diários, tendo já provocado a morte a 40 militares turcos.

Num comentário irónico à afirmação do ministro, um internauta escreveu: "Taner Yildiz chega a casa escoltado por 750 guarda-costas, mas espera tornar-se um mártir".

Por seu lado, o jornalista de televisão Rustem Batum, questionou: "O que é que te impede?", acrescentando estar "cansado de mentiras".

As palavras de honra para ter uma morte de mártir converteram-se num mantra nas últimas semanas na Turquia.

No passado fim de semana durante uma viagem ao norte do país, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou durante um funeral de um soldado que era uma "felicidade para a família saber que o jovem morreu como um mártir".

Em julho, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que as pessoas têm de estar preparadas para "sacrificar os filhos" como parte da ofensiva militar.

Os críticos comentários dos internautas sublinham que os soldados que têm sido mortos nos confrontos com os rebeldes curdos eram de origem social modesta e por não conseguiram evitar o serviço militar obrigatório.

O ministro da Energia turco já negou ter pago para o seu filho não fazer o serviço militar obrigatório.

"Se vamos morrer, então vamos morrer como homens", afirmou hoje o Presidente turco para uma plateia de políticos locais.

Lusa

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