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Presidente da Guatemala nega envolvimento em rede de corrupção

O Presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, negou, este domingo, a sua participação numa rede de corrupção e garantiu que vai dar "a cara" diante da Justiça e assumir a sua a responsabilidade, mas que não pretende demitir-se.

© Handout . / Reuters

"Darei a cara e demonstrarei (...) que não fiz parte, e muito menos, recetor desses fundos obtidos ilicitamente em prejuízo do povo da Guatemala", afirmou Pérez Molina, numa mensagem difundida através dos canais estatais.

O chefe de Estado guatemalteco foi acusado, na sexta-feira, pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento num escândalo financeiro, no seguimento de investigações e nas vésperas de eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 06 de setembro.

A antiga vice-presidente Roxana Baldetti foi detida no mesmo dia, depois de se ter demitido do cargo em maio.

Milhares de pessoas têm participado em comícios nas últimas semanas para protestar contra os escândalos que têm envolvido o Governo liderado por Perez Molina, que sempre negou qualquer erro na sua conduta. E, nos últimos dois dias, três ministros apresentaram a sua demissão.

Na breve alocução de cinco minutos, o Presidente da Guatemala defendeu a sua inocência, denunciando uma "estratégia intervencionista" de determinados setores nomeadamente do estrangeiro.

Defendeu, neste sentido, que se trata de uma situação "inaceitável" porque o objetivo da referida estratégia é "ditar o que é ou não fazer e romper a democracia" incipiente da nação centro-americana.

Esta foi a primeira vez que Perez Molina se pronunciou desde que foi formalizada a acusação, segundo a qual figura como um dos líderes da rede de corrupção denominada de "A Linha".

Estas acusações, argumentou, são "graves" e têm como fim estabelecer a sua eventual ligação à rede de corrupção. Pérez Molina rejeitou "categoricamente" qualquer envolvimento e ter recebido dinheiro de alguém no âmbito dessa "operação de fraude fiscal".

"A minha consciência, nesse sentido, está tranquila", sustentou.

Mesmo assim, Perez Molina afirmou sentir necessidade de "pedir perdão", uma vez que os eventos ocorreram no seio do Governo, implicando funcionários "próximos" ou que ele próprio designou.

"Independentemente da conjuntura política no nosso país, o importante é que não se rompa a tradição democrática do nosso povo", enfatizou.

Neste sentido, aproveitou para instar os guatemaltecos a irem às urnas no próximo dia 06 de setembro, já que a via do voto "consciente e responsável de todos" é a única forma de eleger os dirigentes.

"Compatriotas, faço um apelo para que se manifeste, com toda a força, essa Guatemala profunda, as organizações sociais, essa Guatemala plural que tem estado no centro da minha atenção. (...) Insto-vos hoje como nunca a defender a nossa incipiente democracia, a ver com otimismo o futuro e a fazer profundas transformações", disse.

Essas mudanças, frisou, abrirão caminho para uma Guatemala "mais segura, mais justa, mais transparente, mais participativa e mais próspera".

"Nessa perspetiva, e com esse fim superior, afirmo diante de vós que não renunciarei e que, com toda a firmeza, enfrentarei e sujeitar-me-ei aos processos previstos na lei", concluiu.

Lusa

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