sicnot

Perfil

Mundo

Biblioteca Britânica recusa documentos por receio de violar lei antiterrorista

Académicos de vários países acusam o governo britânico de criar um "clima de medo", depois de a Biblioteca Britânica ter recusado a maior coleção de documentos dos talibãs do Afeganistão por receio de violar as leis antiterroristas.

© Peter Nicholls / Reuters

Um grupo internacional de investigadores passou anos a reunir documentos relacionados com os talibãs - jornais oficiais de quando governaram o Afeganistão (1996-2001), poemas, mapas, emissões de rádio e vários volumes de leis e decretos -, a digitalizá-los e a traduzir tudo para inglês.

O projeto, lançado em 2012 e que incluiu membros da biblioteca nacional britânica no seu conselho consultivo, visava criar um espólio útil para investigadores interessados no movimento talibã e na insurgência que se prolonga até hoje no Afeganistão.

A Biblioteca Britânica deveria arquivar uma cópia matriz do espólio digitalizado, mas no último momento informou os autores do projeto recear que manter uma tal coleção violasse a legislação britânica contra o terrorismo.

"É surpreendente e dececionante", considerou Alex Strick van Linschoten, um autor e investigador de Berlim que ajudou a lançar o projeto, citado pela agência France Presse.

"Não há receitas para fazer bombas nem nada desse género. Trata-se de documentos que vão ajudar as pessoas a compreender a história, sejam afegãos a tentar conhecer o seu passado recente ou estrangeiros que querem compreender o movimento", explicou.

"Qualquer investigador sabe que é fundamental ler documentos primários relacionados com o assunto se quiser compreender os grupos militantes, mas há um clima de medo entre os académicos que estudam este tipo de material porque a lei britânica é muito vaga", acrescentou.

A Biblioteca Britânica manifestou reservas em falar sobre a decisão, remetendo para o governo.

Uma porta-voz confirmou no entanto que a Biblioteca "não tem atualmente capacidade para adquirir uma cópia do arquivo", acrescentando: "É um grande arquivo digitalizado que contém material que pode transgredir a lei sobre terrorismo (...) Os pareceres jurídicos recebidos pela Biblioteca Britânica e instituições semelhantes desaconselham que este tipo de material esteja acessível".

O Ministério do Interior recusou comentar.

As leis antiterroristas aprovadas no Reino Unido em 2000 e em 2006 definem como delito "a recolha de material que possa ser usado por uma pessoa que cometa ou prepare um ato de terrorismo" e criminalizam a "circulação de publicações terroristas".

Mas a lei também define que a polícia tem de provar que os proprietários de tais materiais partilham do conteúdo dos mesmos e que pretendem que eles sejam utilizados para atos terroristas.

James Fitzgerald, professor na Dublin City University e editor da revista científica Critical Studies on Terrorism, considerou a decisão da Biblioteca "completamente ridícula".

"Vai contra as bases da pesquisa. O objetivo de uma biblioteca é ter este tipo de informação, ter documentos históricos. Não é possível ter boa investigação sem dados primários", disse.

Fitzgerald também responsabiliza o governo britânico por criar um ambiente que deixa os investigadores crescentemente nervosos quanto a trabalhos que tenham qualquer coisa a ver com grupos extremistas.

"Isto é um sintoma de uma ortodoxia arrepiante na legislação do Reino Unido", disse.

Apesar da recusa da Biblioteca Britânica, a coleção de documentos dos talibãs despertou o interesse das universidades norte-americanas de Stanford e de Yale, assim como da biblioteca nacional da Suíça, segundo membros do projeto.

"Estando digitalizados, estes registos vão estar inevitavelmente acessíveis", explicou Peter Neuman, diretor do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização, de Londres, na sua conta na rede social Twitter.

Lusa

  • Marcelo lembra as consequências da demissão de Vítor Gaspar
    1:06

    Caso CGD

    O Presidente da República reitera que o assunto Caixa Geral de Depósitos está fechado. Em entrevista à TVI, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou esta segunda-feira as consequências que a demissão de Vítor Gaspar, ministro das Finanças em 2013, provocou no sistema financeiro para justificar o facto de ter intervindo na polémica com as SMS trocadas entre Mário Centeno e António Domingues.

  • PSD e CDS admitem chamar António Costa à nova Comissão de Inquérito à CGD
    2:37

    Caso CGD

    PSD e CDS admitem chamar o primeiro-ministro à nova Comissão de Inquérito à CGD. Apesar de ser uma hipótese, a SIC sabe que os dois partidos ainda estão a definir o objeto do inquérito e, por isso, afirmam que é prematuro falar sobre eventuais audições. Seja como for, António Costa voltou esta segunda-feira a dizer que o assunto está encerrado.

  • Acha que conhece o seu país?
    27:42
  • Avioneta despenha-se em centro comercial de Melbourne

    Mundo

    Uma avioneta com cinco pessoas a bordo caiu num centro comercial perto do aeroporto de Essendon em Melbourne, capital da Austrália. Segundo a polícia do estado de Vitória tratava-se de um voo charter com destino a King Island, situada entre a parte continental da Austrália e a ilha da Tasmânia.

  • Pelo menos 18 detidos em protestos no Rio de Janeiro

    Mundo

    Pelo menos 18 pessoas foram esta segunda-feira detidas no Rio de Janeiro, Brasil, depois de confrontos com a polícia durante um protesto contra a privatização da empresa pública de saneamento, que serve o terceiro estado mais povoado do país.

  • O momento em que Kim Jong-nam terá sido envenenado
    1:21

    Mundo

    A investigação ao homicídio do meio-irmão do líder da Coreia do Norte no aeroporto da capital da Malásia está a provocar uma crise diplomática entre os dois países. Esta segunda-feira, um canal de televisão japonês divulgou imagens das câmaras de vigilância do aeroporto que alegadamente captam o momento em que Kim Jong-nam terá sido envenenado.

  • O atentado na Suécia inventado por Donald Trump
    2:12
  • Os ensaios para a maior festa do ano
    1:16

    Mundo

    Em contagem decrescente para o Carnaval, no Rio de Janeiro, já começaram os ensaios para a maior festa do ano. A noite de testes na avenida Marquês de Sapucaí conta com desfiles gratuitos.