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Merkel diz que fracasso na questão migratória trairia valores fundadores da UE

A chanceler alemã, Angela Merkel, repetiu hoje que a União Europeia deve chegar a acordo para uma repartição equitativa dos refugiados, advertindo que um fracasso na resolução da crise migratória constituiria uma traição aos princípios fundadores.

A chanceler, que falava em conferência de imprensa em Berlim, voltou por isso a defender a criação de um sistema de quotas para o acolhimento de refugiados, uma ideia proposta em junho pela Comissão Europeia, mas que foi rejeitada por vários países membros.

"Os direitos civis universais têm uma ligação próxima com a Europa e com a sua História, enquanto princípio fundador da União Europeia", disse.

"Se a Europa fracassar na questão dos refugiados, se esta ligação próxima com os direitos civis universais se quebrar, então esta não será a Europa que desejámos", acrescentou.

A Alemanha prepara-se para receber este ano 800.000 refugiados, quatro vezes mais que em 2014 e mais do que qualquer outro país europeu.

"Se não chegarmos a uma distribuição justa (dos refugiados), então a questão do futuro de Schengen vai colocar-se. Não queremos isso", disse Merkel, referindo-se ao espaço de livre circulação europeu.

A questão vai ser debatida na reunião extraordinária de ministros do Interior da UE prevista para 14 de setembro em Bruxelas.

Confrontada internamente com uma forte oposição ao acolhimento de refugiados, Merkel assegurou que a Alemanha é "um país suficientemente forte", com uma "economia sólida" e um "mercado de trabalho robusto", pelo que vai ultrapassar o desafio de acolher centenas de milhares de pessoas.

"Podemos fazê-lo", disse.

Como na semana passada, Angela Merkel voltou a assegurar que há "tolerância zero" para os atos xenófobos e racistas no país e sublinhou o seu "orgulho e gratidão" pelos "inúmeros alemães" que se têm voluntariado para ajudar os refugiados.

Lusa

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