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Luso-descendente luta contra epidemia de heroína nos EUA depois de overdose do filho

Em 2013 a luso-descendente Lori Palazzi Gonsalves estava no hospital a rezar pelo filho que sofrera uma 'overdose' grave quando decidiu lutar contra a epidemia de heroína que atinge os Estados Unidos.

© Goran Tomasevic / Reuters

"Os médicos vieram e disseram-me que achavam que ele não ia sobreviver", lembrou Gonsalves ao jornal Taunton Gazette. "Rezei para que ele vivesse e prometi naquele momento que isto não podia acontecer em vão, que tentaria fazer algo positivo. A minha voz teria de ser ouvida".

Desde essa altura, Gonsalves organizou marchas e viajou pelo estado de Massachusetts com o filho e o marido para partilhar a sua história com jovens e pais em escolas e outras organizações.

Segundo dados anunciados em julho pelo Centro de Controlo de Doenças (CDC), o consumo de heroína nos Estados Unidos cresceu 63% em 11 anos, atingindo grupos que não alcançava antes, e é agora considerado uma epidemia.

No mesmo período, as mortes por 'overdose' causadas por esta droga quadruplicaram.

O filho de Gonsalves, Cory, era jogador de basebol e membro da National Honors Society, uma organização de melhores alunos do país, quando foi operado ao ombro e começou a tomar Percocet, um medicamento prescrito pelo médico para as dores.

Cory continuou a usar a droga quando entrou na universidade, de forma recreativa, e para lutar contra a depressão causada pelo fracasso na carreira de basebol.

O custo com o medicamento, cerca de 200 ou 300 dólares semanais (entre 180 e 270 euros), acabou por ser demasiado elevado e Cory começou a tomar heroína, que era mais potente, barata (uma dose de heroína custa menos de nove dólares [oito euros]) e dispensava prescrição médica.

Segundo os dados do CDC, pessoas dependentes de analgésicos são 40 vezes mais prováveis de se tornar dependentes de heroína.

Esse é um dos motivos que levou Lori Gonsalves a organizar no domingo passado, em Taunton, uma manifestação 'Fed Up', a repetição de um evento nacional que acontece há três anos e que pretende alertar para os perigos de drogas analgésicas e da adição que causam.

Cory, que ainda faz fisioterapia para tentar recuperar a sua mobilidade e fala, que ficou muito afetada, também já participou num anúncio de televisão para uma campanha de prevenção.

A sua história também chegou à Câmara dos Representantes, quando o congressista Joseph Kenny mencionou o seu caso para argumentar a favor de uma proposta de lei sobre prescrições médicas de analgésicos.

"O que interessa é: o vício tem de ser tratado e encarado como uma doença, é preciso dedicar mais fundos aos programas de tratamento e prevenção, especialmente as comunidades mais atingidas por esta epidemia", explicou Gonsalves.

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