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Partido pró-curdo da Turquia acusa Presidente e Governo de provocarem uma guerra civil

O partido de esquerda e pró-curdo da Turquia HDP acusou hoje o Presidente Recep Tayyip Erdogan de conduzir o país para uma guerra civil, após uma sangrenta terça-feira onde 18 polícias foram mortos pela guerrilha do PKK.

© Sertac Kayar / Reuters

"Erdogan e [o primeiro-ministro] Davutoglu decidiram começar a guerra. Não temos nada a ver com isso. Mas como seres humanos com consciência, consideramo-nos responsáveis e fazemos os possíveis para travar estas mortes", declarou em conferência de imprensa Selahattin Demirtas, copresidente do Partido Democrático dos Povos (HDP), uma formação pró-curda mas que também aglutina diversas correntes da esquerda turca.

O dirigente curdo revelou que nos dois últimos dias foram registados 400 ataques contra sedes do seu partido, negócios e lojas de curdos e cidadãos desta etnia, maioritária no sudeste do país e entre 10% a 30% dos 80 milhões de habitantes, segundo diversas estatísticas.

"Estão a tentar eliminar tudo o que pareça curdo", acusou Demirtas, que responsabilizou pelos ataques o islamita-conservador Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, agora liderado por Davutoglu) e os serviços de informações.

"Estas campanhas de ataques são comandadas por uma só mão, a do Estado", prosseguiu Dermitas.

O líder curdo tornou-se num alvo privilegiado de Erdogan após o sucesso do HDP nas legislativas de 07 de junho (13% dos votos e 80 dos 550 deputados), que em grande medida impediram o AKP de manter a maioria absoluta no parlamento e que garantia desde 2002, para além de ter comprometido o projeto de regime presidencialista pretendido por Erdogan.

Após infrutíferas negociações interpartidárias, foi marcado um novo escrutínio para 1 de novembro.

Numa referência ao recrudescimento dos ataques da guerrilha, com um balanço de pelo menos 31 soldados e polícias mortos desde domingo, o dirigente curdo disse que o seu partido está contra todas as mortes e que sofrem por cada vítima, seja guerrilheiro, soldado ou uma criança.

Na tarde de terça-feira, cerca de 7.000 manifestantes desfilaram no centro da capital Ancara para denunciar o "terrorismo" do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, a guerrilha separatista curda da Turquia), enquanto um grupo mais reduzido atacou a sede central do HDP e incendiou uma divisão com os arquivos do partido. Outra sede do partido em Alanya (sul) foi totalmente destruída.

Um dos seus colegas deputados, Ertugrul Kurkçu, evocou mesmo uma "noite de Cristal" de Erdogan, numa referência ao 'pogrom' organizado pelos nazis contra os judeus em 1938 na Alemanha.

A sede do diário Hurriyet em Istambul também foi atacada na noite de terça-feira por apoiantes do Governo pela segunda vez em 48 horas, enquanto centenas de manifestantes tentavam entrar nos edifícios do periódico aos gritos de "Alá é grande".

No final de julho a Turquia desencadeou uma "guerra contra o terrorismo" dirigida contra o islamita Estado Islâmico (EI) mas que tem sobretudo visado os rebeldes do PKK.

Desde há um mês que as operações militares do exército turco e os atentados do PKK contra o exército e forças policiais se sucedem a um ritmo quase diário, com um balanço provisório oficial de perto de 100 soldados e polícias mortos e cerca de 1.000 baixas entre os rebeldes curdos.

Os mortíferos confrontos comprometeram em definitivo as frágeis discussões de paz entre o governo islamita-conservador de Ancara e o grupo rebelde, iniciadas no outono de 2012.

No final de julho, Ancara também aprovou oficialmente um acordo que permite a utilização pelos Estados Unidos e países aliados das suas bases militares para atacarem o grupo extremista Estado Islâmico (EI) na vizinha Síria.

Lusa

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