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Nyusi e Zuma inauguram em Moçambique monumento de vitória contra "apartheid"

Os presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, e da África do Sul, Jacob Zuma, consideram que o monumento que inauguraram hoje na cidade da Matola, arredores de Maputo, imortaliza a luta e a vitória contra o "apartheid".

ANT\323NIO SILVA

"Este monumento é um dos maiores símbolos que sintetiza o nosso percurso de luta contra os regimes coloniais e racistas. Imortaliza os feitos de homens e mulheres que escreveram com o sacrifício das suas próprias vidas as páginas mais nobres da nossa história comum", disse Filipe Nyusi, discursando após a inauguração do memorial.

Recordando que 17 ativistas sul-africanos anti-"apartheid", cinco moçambicanos e um português foram mortos no local em 31 de janeiro de 1981 num raide aéreo e operação de comandos do regime do "apartheid" da África do Sul, Nyusi defendeu que o monumento traduz a tradição da luta comum entre os povos de Moçambique e da África do Sul contra a colonização e discriminação racial nos dois países.

"Os regimes colonial português e do "apartheid" tentaram, sem sucesso, destruir a convivência salutar entre os nossos dois povos. Tentaram minar a dignidade e as relações socioculturais que desde sempre nos caracterizaram", frisou o chefe de Estado moçambicano.

Ao perpetrar o ataque, o Governo do "apartheid", assinalou Filipe Nyusi, mostrou a sua verdadeira face cruel e desumana, contrariando todas as regras elementares de convívio no concerto das nações.

Por seu turno, o Presidente sul-africano, que vivia exilado em Moçambique quando se deu o ataque, considerou o monumento um símbolo do triunfo contra a repressão do ex-regime racista branco da África do Sul.

"Somos lembrados hoje de que os povos da África do Sul e de Moçambique partilham laços históricos criados na luta contra o "apartheid", colonialismo e regimes fascistas", declarou Jacob Zuma.

Num relato fora do discurso que leu, Zuma contou que teria sido uma das vítimas do ataque, uma vez que se quis deslocar de Maputo para o local, movido pela determinação de ajudar os seus camaradas do ANC (Congresso Nacional Africano), atual partido no poder na África do Sul, quando tomou conhecimento da incursão, num lugar que está a cerca de 20 quilómetros da capital moçambicana.

Zuma disse que só não foi a Matola, porque um dos membros destacados pelo Governo moçambicano para tomar conta da segurança dos dirigentes do ANC não lhe emprestou a viatura, alegando que a mesma estava com um primo.

"Mais tarde, ele contou-me que, na verdade, não queria que eu fosse a Matola para minha própria segurança", narrou o chefe de Estado sul-africano, na altura responsável pelo braço militar do ANC, Lança da Nação, cujos membros eram os principais visados pelo ataque.

Numa praça lotada por políticos moçambicanos e sul-africanos, titulares de órgãos de soberania, dirigentes de órgãos de soberania e de organizações da sociedade civil, Jacob Zuma encerrou o seu discurso com um dos mais famosos cânticos de agradecimento à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido no poder e aliado do ANC, acompanhado por um coro espontâneo que incluía o ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano e Graça Machel, viúva de Samora Machel, primeiro chefe de Estado moçambicano, e também de Nelson Mandela, primeiro Presidente negro da África do Sul.

O memorial hoje inaugurado é constituído por uma lápide onde estão inscritas palavras de ordem do braço armado do ANC, protegida por um alpendre de alumínio e dois murais com os nomes das vítimas, incluindo o cidadão português António Ramos Monteiro José, sobre quem se faz questão de explicar no mural que foi assassinado por ter sido confundido com Joe Slovo, na altura secretário-geral do Partido Comunista da África do Sul e forte aliado do ANC e também exilado em Moçambique.

O monumento possui também um centro de documentação de dois pisos, com enormes paredes de vidro, onde está conservada informação e fotografias associadas à presença de quadros do ANC em Moçambique.

Com o ataque, o Governo sul-africano, que mantinha uma relação hostil com o Governo da Frelimo, desde a independência de Moçambique em 1975, pretendia desmantelar uma das principais instalações do braço armado do ANC, que, apesar de nunca ter conseguido mover uma guerra de grande escala na África do Sul, atacou alguns alvos no país, normalmente à bomba, e era uma constante fonte de preocupação para os serviços de segurança do regime.

Lusa

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