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Venezuela nega ter entrado em espaço aéreo colombiano, Colômbia reafirma

Caracas acusou hoje a Colômbia de "inventar" que duas aeronaves militares venezuelanas entraram em espaço aéreo colombiano, mas segundo Bogotá o sistema de defesa aérea "verificou" a violação, 24 dias depois do encerramento da fronteira entre ambos os países.

"A informação foi verificada ao examinar a informação do Radar de Riohacha, que faz parte do sistema de defesa aérea da Força Aérea da Colômbia", explica um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia.

O documento sublinha que duas aeronaves militares venezuelanas violaram o espaço aéreo colombiano na Alta Guajira (noroeste da Venezuela) em duas ocasiões e que nas próximas horas vai ser entregue a Caracas "uma nota de protesto, condenando os factos e requerendo as explicações necessárias por esta violação territorial".

Em resposta à acusação colombiana, a ministra das Relações Exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciou, hoje, na sua conta do Twitter, que "não existe prova alguma da alegada violação do espaço aéreo do vizinho país, tratando-se de uma invenção para frustrar uma reunião presidencial".

Por outro lado, a chefe da diplomacia explicou que a Venezuela "vê com preocupação a sistemática tendência do Governo colombiano para inventar incidentes que não existem, a fim de afetar as relações" bilaterais.

A Colômbia anunciou, no domingo, que pediu explicações à Venezuela pela utilização não autorizada de duas aeronaves militares venezuelanas, em espaço aéreo colombiano.

Um documento do Ministério da Defesa colombiano, a que a Agência Lusa teve acesso, precisa que "inicialmente as duas aeronaves militares venezuelanas voaram 2,9 quilómetros dentro do espaço aéreo colombiano, voando na zona de Majayura e perdendo-se rapidamente em direção a Castilletes", ambas localidades na Guajira colombiana, a noroeste da Venezuela.

"Posteriormente, os dois aviões militares venezuelanos voaram sobre uma unidade militar do Exército Nacional, na região de La Flor (de la Guajira), entrando aproximadamente 2,27 quilómetros em território colombiano e saindo velozmente novamente para Castilletes", explica.

A denúncia da alegada violação do espaço aéreo colombiano teve lugar um dia depois de uma reunião entreas chefes da diplomacia dos dois países, em Quito, no Equador, centrada em criar condições para um encontro entre os presidentes da Colômbia e da Venezuela, Juan Manuel Santos e Nicolás Maduro, respetivamente.

O encontro terminou sem a marcação de uma data para o encontro, apesar da mediação de organismos internacionais como a Comunidade dos Estados Latino-Americanos (Celac) e a União de Nações da América do Sul (Unasul).

No dia 24 de agosto, as autoridades venezuelanas decretaram o estado de emergência em seis municípios fronteiriços com a Colômbia, justificando a medida com o combate a grupos paramilitares, ao narcotráfico e ao contrabando.

O decreto presidencial suspendeu por 60 dias, prorrogáveis, as garantias constitucionais em vários municípios junto à fronteira com a Colômbia.

Desde o encerramento da fronteira, segundo uma missão das Nações Unidas, mais de 1.100 colombianos foram repatriados e mais de dez mil abandonaram a Venezuela voluntariamente.

O encerramento de fronteiras tem gerado preocupação em organismos internacionais como a União de Nações da América do Sul (Unasul) e a União Europeia.

Lusa

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