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Dissidentes denunciam detenções e prisões em Cuba durante a visita do papa

Alguns dissidentes cubanos denunciaram hoje dezenas de detenções e de prisões domiciliárias de opositores ao regime de Raúl Castro, na sequência da chegada do papa Francisco a Cuba, onde este domingo celebrou a sua primeira missa

© Tony Gentile / Reuters

A líder do movimento dissidente Damas de Branco, Berta Soler, disse à agência espanhola de notícias EFE que foi detida, temporariamente, no sábado, antes da chegada de Francisco, e também durante o dia de hoje, quando se encontrava com mais 22 elementos do movimento e com o seu marido, o ex-preso político Ángel Moya, para assistir à missa papal.

"Saímos da sede do [movimento] 23 Damas de Branco e [Ángel] Moya às 05:00 da manhã para poder chegar à praça [onde o papa celebrou a missa] e fomos todos presos", contou Berta Soler, via telefone, já em casa e depois de ter estado detida várias horas numa esquadra de Alamar, na sua zona de residência.

A dissidente acrescentou que recebeu relatos de prisões semelhantes por parte dos seus companheiros da província de Matanzas, Villa Clara, Guantánamo, assim como de Holguín e Santiago de Cuba, as outras duas dioceses que o papa Francisco vai visitar durante a sua estada de quatro dias na ilha.

Soler disse ainda que tinha sido convidada por um funcionário da Nunciatura para saudar a chegada do papa, no sábado, na embaixada do Vaticano em Havana, onde Francisco está hospedado nos dois primeiros dias de visita.

O movimento Damas de Branco é um grupo formado pelas mulheres e filhas dos presos políticos que constituíram o grupo de 75 homens presos na "Primavera Negra" de 2003 em Cuba.

Na sua primeira missa em solo cubano perante milhares de pessoas, o papa Francisco pediu hoje para que se defendam os mais fracos da sociedade, sublinhando que o mais importante "é servir o povo e não as ideologias".

"O serviço nunca é ideológico, uma vez que não se serve de ideias, mas antes as pessoas", disse o papa, perante o Presidente de Cuba, Raúl Castro, e perto do grande símbolo exposto neste local: a imagem do líder revolucionário Ernesto "Che" Guevara colocada sobre a fachada do edifício do Ministério do Interior.

O papa, que seguiu depois no papamóvel para saudar os milhares de presentes, que aguardaram desde madrugada, disse ainda na sua homilia que o povo cubano "tem vocação de grandeza" e que a deve cuidar, sobretudo ao serviço dos mais frágeis.

Francisco, terceiro papa a celebrar missa na Praça da Revolução, em Havana, voltou a apelar à reconciliação entre Cuba e os Estados Unidos da América.

Lusa

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