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Dois jornalistas da televisão Al-Jazeera libertados no Egito depois de perdão presidencial

Dois jornalistas da televisão Al-Jazeera, um dos quais canadiano, foram libertados hoje, algumas horas depois de receberem o perdão do Presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi, informou um jornalista da agência de notícias francesa AFP.

© Asmaa Waguih / Reuters

O canadiano Mohamed Fahmy e o egípcio Baher Mohamed, que foram amnistiados no âmbito do perdão presidencial, disseram ao sair da prisão que têm a esperança de encontrar o mais rapidamente possível os seus familiares.

"Eu estou contente com a ideia de não ter que me preocupar com advogados e oficiais da polícia seguindo-me por todo lado, mas sobretudo, porque eu vou poder partilhar o mesmo teto com a minha esposa", disse Fahmy, depois de ser libertado com o seu colega Baher Mohamed.

"Estamos muito, muito contentes. Mas nós ficamos um pouco surpreendidos pela forma como as coisas aconteceram", disse Mohamed.

Fahmy and Mohamed foram condenados a três anos de prisão num novo julgamento, em agosto, por "alegadamente terem produzido notícias falsas" de apoio ao movimento fundamentalista Irmandade Muçulmana, ilegalizado depois do exército ter deposto o Presidente Mohamed Morsi em 2013.

O repórter australiano Peter Greste também foi condenado no mesmo julgamento, mas já tinha sido deportado mediante um decreto presidencial.

A detenção dos jornalistas e o novo julgamento desencadeou uma onda mundial de críticas ao regime de Al-Sissi, que afirmou ter preferido a deportação a um novo julgamento.

A detenção em dezembro de 2013 ocorreu numa altura de grande tensão e repressão violenta dos membros da Irmandade Muçulmana, na sequência da deposição do líder islamita Morsi.

Na época, as autoridades do Qatar, proprietários da Al Jazeera, apoiavam os islamitas.

O perdão presidencial ocorre na véspera do Id al-Adha, a festa muçulmana do sacrifício e abrange 358 presos, incluindo uma centena de jovens sentenciados a penas de prisão por violação da lei do protesto.

Fahmy, que deixou de ser cidadão egípcio para poder ser deportado, deverá partir para o Canadá.

Além dos dois jornalistas, a jovem ativista egípcia Sanaa Seif e a advogado dos direitos humanos Yara Salam receberam também um perdão total da pena, no âmbito a amnistia de Al-Sissi.

As duas tinham sido condenadas, em outubro passado, a três anos de prisão por uma manifestação realizada em frente ao palácio presidencial, em junho do ano passado, em violação da lei do protesto.

Seif é irmã do conhecido bloguista Alaa Abdelfatah, símbolo da revolução de 2011, e Salam é uma advogada que trabalha para a organização não-governamental (ONG) Iniciativa Egípcia de Direitos Pessoais.

Lusa

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