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Merkel insta comunidade internacional a ocupar-se de "causas profundas" da crise migratória

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu hoje na Cimeira do Desenvolvimento Sustentável na ONU que perante a crise migratória que a Europa enfrenta a solução só poderá ser a comunidade internacional ocupar-se "das causas profundas".

© Fabrizio Bensch / Reuters

"Milhares de pessoas veem-se forçadas a fugir da guerra, do terrorismo e da violência, mais que em qualquer outro momento desde a Segunda Guerra Mundial. O sofrimento é exacerbado por não terem perspetivas de futuro e os seus países serem destruídos [e] a solução só pode ser que nos ocupemos das causas profundas", sustentou.

A chefe do executivo alemão frisou que, perante o sofrimento dos refugiados e o repto que enfrentam os países que estão a acolhê-los, "uma agenda para 2030 é o enquadramento adequado para isso" e que nela se devem ter em conta questões económicas, ecológicas e sociais para o desenvolvimento e assumir que tal implica "uma aliança global nova", com "estruturas eficientes a todos os níveis: nacional, regional e mundial".

Merkel sublinhou o compromisso da Alemanha de continuar a contribuir com 0,7% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para o desenvolvimento, sem descartar aumentar esse contributo, e apelando ao mesmo tempo para o investimento privado.

Também fez referência à necessidade de utilizar os recursos de "forma eficiente" e à crise que se está a abater sobre todos os Estados, dando como exemplo o surto de Ébola na África Ocidental.

Angela Merkel disse que a Alemanha, juntamente com o Gana e a Noruega, pediu ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que "crie um grupo ao mais alto nível para retirar lições desta epidemia e para fazer com que o mundo possa reagir com maior rapidez e eficácia em situações como esta".

"Setenta anos depois da sua fundação, a ONU, no seu conjunto, com a sua legitimidade única, continua a ser indispensável para resolver os problemas da humanidade, mas também tem de se adaptar aos novos desafios, e a Alemanha participará ativamente no processo de reforma necessário", sublinhou.

Para Merkel, será necessária unidade para alcançar o objetivo da cimeira: acabar com a pobreza extrema até 2030.

"Dentro de pouco tempo, na Alemanha, celebraremos os 25 anos de unidade na Alemanha, e na Europa, o fim da Guerra Fria. O que aconteceu dividiu a Europa e, depois, esta cresceu unida com paz e liberdade", apontou.

"Muitos tentaram fazê-lo durante décadas, mas praticamente ninguém acreditava que fosse possível. Hoje sabemos que nada tem de continuar a ser o que é, e que a mudança para melhor é possível", concluiu.

Lusa

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