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Os 25 anos da reunificação alemã entre crise de refugiados e escândalo Volkswagen

A Alemanha celebra hoje os 25 anos da sua reunificação, assolada pela crise dos refugiados e o escândalo dos motores manipulados da Volkswagen, que abalaram repentinamente a imagem de nação mais poderosa e bem-sucedida do espaço europeu.

© STR New / Reuters

A questão da identidade alemã voltou a colocar-se num país que esteve no centro das grandes crises que atingiram o velho continente no século XX e que culminaram na sua ocupação e divisão pelas potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial.

Hoje, a Alemanha tornou-se num "gigante" e nas duas grandes crises europeias de 2015, Grécia e refugiados, a posição de Berlim foi, e mantém-se, determinante.

A transformação alemã foi progressiva e reforçou-se com a perda de complexos da Alemanha e com as dinâmicas da União Europeia (UE), desde a fraqueza de Bruxelas à atual paralisia francesa, para além dos problemas financeiros do sul.

E foi depois da reunificação, durante o consulado do chanceler social-democrata Gerhard Schröder (1998-2005) em aliança com os Verdes, que a Alemanha optou por um papel ativo na "guerra do Kosovo", a primeira missão militar alemã no exterior desde a Segunda Guerra Mundial.

Separadas desde 1945, as duas alemanhas legitimaram a reunificação em 3 de outubro de 1990, menos de um ano após a queda do Muro de Berlim que as dividia, na sequência de um contexto político muito próprio e um envolvimento da sociedade civil que a atual chanceler Angela Merkel, educada da extinta República Democrática Alemã (RDA), recorda com frequência.

No entanto, o atual acolhimento de centenas de milhares de refugiados em fuga das guerras no Médio Oriente, Ásia e África não pode ser comparado com o desafio que representou a absorção da ex-Alemanha comunista, em declínio económico acentuado, na então já próspera República Federal da Alemanha (RFA) -- mas agora em apuros devido ao escândalo no seu principal construtor automóvel e que pode influir na decisiva estratégia das exportações.

Para 2015, a festa anual foi programada para a cidade de Frankfurt, capital financeira do país, com Angela Merkel e o Presidente Joachin Gauck, também proveniente do leste alemão, a presidirem às cerimónias que decorrem sob o lema "Ultrapassar as Fronteiras".

O estado federado do Hesse, onde se encontra Frankfurt, programou cerca de 500 iniciativas e atividades para celebrar e recordar o Dia da Unidade Alemã (Tag der Deutschen Einheit), a festa nacional do país.

Por motivos de saúde, o ex-chanceler Helmut Kohl e os ex-presidentes soviético, Mikhail Gorbatchov e norte-americano, George H. Bush, os artífices políticos da reunificação, estarão ausentes. Mas entre os 1.500 convidados prevê-se a presença do antigo chefe da diplomacia alemã, o liberal Hans-Dietrich Genscher, do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do ministro sul-coreano para a União, Hong Yong-Pyo.

Cerca de 50 ativistas dos direitos humanos e civis da extinta RDA também deverão sentar-se nas primeiras filas da Alte Oper, uma grande sala de espetáculos e o local central das celebrações.

Passados 25 anos, mantêm-se diferenças acentuadas entre as "duas alemanhas", apesar de um oneroso processo de reunificação avaliado em dois biliões de euros.

O desemprego permanece mais elevado a leste, que também registou um recuo demográfico e não alberga nenhuma das grandes empresas alemãs -- tal como nenhum clube de futebol do leste integra a Bundesliga. Para além de uma visão diferente da família e em particular da função da mulher, com um modelo acentuadamente mais conservador a ocidente. Uma recente sondagem da YouGov revelou que 71% dos alemães ocidentais e 83% a leste consideram que permanecem "grandes diferenças" entre as duas partes do país.

A Alemanha Oriental, como também ficou conhecida a ex-RDA, converteu-se no entanto num novo mercado para as empresas alemãs ocidentais e dos países do Ocidente.

Entre as muitas iniciativas programadas, é possível observar desde o início de setembro em diversos locais de Frankfurt as fotografias a preto e branco de Barbara Klemm, que trabalhou para o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung e captou imagens únicas do período da Guerra fria, do derrube do Muro de Berlim e da unificação alemã.

Entre elas, o famoso beijo entre os líderes soviético Leonid Brejnev e alemão de leste Erich Honecker em Berlim leste, em 1979.

Outro beijo, então comum nas saudações entre os líderes do leste e também registado por fotógrafos, ocorreu dez anos depois, em 7 de outubro de 1989, quando Gorbatchov participou em Berlim-leste no 40º aniversário da fundação da RDA, ainda dirigida por Honecker. O líder soviético ter-lhe-á referido que a vida "encarrega-se de punir os que se atrasam". Seguiu-se o que ficou conhecido por "beijo da morte".

Honecker demitiu-se a 18 de outubro, e entre 9 e 10 de novembro de 1989 caía o Muro de Berlim.

Lusa

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