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Amnistia acusa EUA de cumplicidade na morte de civis no Iémen

Amnistia acusa EUA de cumplicidade na morte de civis no Iémen

A Amnistia Internacional acusa os Estados Unidos de estarem a cometer crimes de guerra. A organização diz que os norte-americanos estão a ajudar a matar civis no Iémen ao venderem armas à Arábia Saudita.

Intitulado "Bombas caem do céu dia e noite - Civis debaixo de fogo no Iémen do Norte", o relatório analisa 13 ataques aéreos levados a cabo pela coligação em Sa'da, nordeste do Iémen, que, entre maio e julho, causaram a morte a cerca de uma centena de civis, mais de metade dos quais crianças, e refere o uso de bombas de fragmentação que foram banidas internacionalmente.

"O relatório revela evidências de ataques aéreos ilegais da coligação liderada pela Arábia Saudita, alguns dos quais podem ser considerados crimes de guerra (...) e mostra com detalhes pungentes como é crucial parar o uso de armas que estão a ser utilizadas para cometer violações deste tipo", declarou Donatella Rovera, ex-consultora da AI que liderou a missão da organização para o Iémen.

Para a AI, "os EUA e outros Estados exportadores de armas para qualquer das partes em conflito no Iémen têm a responsabilidade de assegurar que as transferências de armas que autorizam não estão a facilitar graves violações do direito internacional humanitário".

Perante a situação, a AI apela a que seja suspenso o envio, para a coligação, de bombas da série MK (MARK) 80 e de outras bombas de uso geral, bem como de aviões e helicópteros de combate, entre outros meios cujo uso possa colidir com a legislação humanitária.

Revelando que os ataques aéreos da coligação causaram em Sa'da uma destruição maior do que em qualquer outra cidade iemenita, o relatório indica também que a coligação liderada pelos sauditas declarou as cidades de Sa'da e de Marran - onde vivem dezenas de milhares de civis - como alvos militares.

Em pelo menos quatro dos ataques aéreos investigados, a Anistia Internacional encontrou casas que foram atingidas mais do que uma vez, o que sugere serem alvos intencionais, mesmo sem evidência de estarem a ser utilizadas para fins de combate.

Num ataque aéreo a 13 de junho sobre uma casa no vale de Dammaj, em al-Safra, as forças da coligação mataram oito crianças - entre as quais um bebé com 12 dias - e duas mulheres da mesma família, tendo ainda ferido sete outros parentes, e, quando a AI investigou os destroços, não encontrou qualquer prova da existência de armas ou outros apetrechos militares, mas apenas objetos da vida doméstica.

Outros ataques atingiram veículos que transportavam civis em fuga, alimentos e ajuda humanitária, havendo ainda a assinalar atentados a lojas, mercados e outros estabelecimentos comerciais.

Os civis em Sa'da vivem num estado de terror permanente face à iminência de novos ataques aéreos e estão confrontados com uma grave crise humanitária, com os cortes de eletricidade que afetam a cidade, com o colapso do sistema de saúde e a escassez de médicos.

Contestando o facto de, na semana passada, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, se terem gorado as tentativas de iniciar uma investigação internacional independente, Donatella Rovera sublinhou a necessidade de ver os criminosos no banco dos réus.

Para a Amnistia Internacional, uma investigação ou inquérito internacionais poderiam ser estabelecidos através de uma resolução adotada pela Assembleia-geral ou pelo Conselho de Segurança da ONU, bem como pelo Secretário-Geral das Nações Unidas ou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

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