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Polícia moçambicana invadiu a casa de líder da oposição Afonso Dhlakama

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A polícia moçambicana invadiu hoje a casa do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, na cidade da Beira, centro do país. Segundo noticiou a Rádio Moçambique, a operação policial visou desarmar a guarda do líder da oposição.

André Catueira / Lusa

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André Catueira / Lusa

Um dia depois de ter reaparecido na serra da Gorongosa, ao fim de quase duas semanas em lugar desconhecido, era esperada uma conferência de imprensa do líder da oposição hoje às 09:00 (08:00 em Lisboa) na sua casa no bairro das Palmeiras, na Beira.

Àquela hora, forças da Unidade de Intervenção Rápida (UIR e Grupo Operativo Especial (GOE) da polícia moçambicana vedavam o acesso dos jornalistas ao perímetro da casa de Dhlakama, que permanecia no seu interior, e evacuavam residências vizinhas.

A polícia levou também bens do interior da residência do líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana).

Após a intervenção policial, dirigiram-se para o local Lourenço do Rosário, um dos mediadores do processo de diálogo entre Governo e oposição, e Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos, e ambos estavam em conversações com as autoridades.

Mais tarde, a estas personalidades juntaram-se outros dois mediadores, Dinis Sengulane e Anastácio Chembeze.

O secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, a chefe da bancada parlamentar, Ivone Soares, e o porta-voz do partido, António Muchanga, foram impedidos pela polícia de chegar à residência e permaneciam no exterior, juntamente com os jornalistas.

Também os elementos detidos da guarda da Renamo continuavam no local, dentro de uma viatura blindada da polícia.

A Lusa tentou ouvir a polícia, mas sem sucesso.

A invasão da casa de Afonso Dhlakama na Beira acontece um dia depois de ter reaparecido na serra da Gorongosa, ao fim de quase duas semanas em lugar desconhecido, após ter desaparecido no dia 25 de setembro em Gondola, província de Manica, durante confrontos entre os homens armados da oposição e as forças de defesa e segurança.

Afonso Dhlakama referiu que, após o incidente do dia 25 de setembro, percorreu dezenas de quilómetros a pé pelo planalto e atravessou o rio Púnguè até à região da Gorongosa, província de Sofala.

Segundo o líder da oposição, a sua comitiva foi atacada pelas forças de defesa e segurança, no segundo incidente com a sua caravana em menos de duas semanas.

A polícia sustentou, por seu lado, que a comitiva de Dhlakama atirou sobre um "chapa" (carrinha de transporte público), matando o motorista, e que os guardas da Renamo foram tomados pelo pânico e começaram a disparar uns contras os outros.

Ainda na versão da polícia, os agentes foram deslocados para o local com o objetivo de repor a ordem pública, seguindo-se um intenso tiroteio que matou mais de vinte homens da oposição.

De acordo com a Renamo, desse incidente resultaram apenas sete baixas entre os seus homens e Afonso Dhlakama saiu a pé pelo mato para um lugar desconhecido.

A 02 de outubro, registou-se uma nova troca de tiros no interior do distrito de Gondola, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo dos disparos.

Foi o terceiro incidente grave em três semanas envolvendo a Renamo, depois de, a 12 de setembro, a comitiva de Dhlakama ter sido emboscada também na província de Manica, num ataque testemunhado por jornalistas e que permanece por esclarecer.

A polícia moçambicana anunciou entretanto um processo-crime por homicídio contra Dhlakama e restante comitiva, acusados da morte do motorista do "chapa" no dia 25 de setembro em Gondola.

O líder da oposição saiu na quinta-feira da mesma região onde permaneceu escondido durante quase dois anos, na última crise com o Governo e que só terminou com um acordo de paz, assinado a 05 de setembro de 2014 em Maputo, com o ex-Presidente Armando Guebuza, após 17 meses de confrontações militares na região centro, que deixarem um número desconhecido de mortos e milhares de deslocados.

Moçambique vive novos momentos de incerteza política, provocada pela recusa da Renamo em reconhecer os resultados das eleições gerais de 15 de outubro do ano passado e sua proposta de governar nas seis províncias onde reclama vitória, sob ameaça de tomar o poder pela força.

Lusa

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