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Nobel da Literatura previne europeus contra "ditadura suave" na Bielorrússia

A prémio Nobel da Literatura 2015, Svetlana Alexievitch, definiu hoje o regime da Bielorrússia como uma "ditadura suave" na véspera das eleições presidenciais no seu país, dirigido há 21 anos pelo Presidente Alexander Lukashenko.

© Fabrizio Bensch / Reuters

A escritora bielorrussa exprimiu-se em Berlim na véspera e um escrutínio no qual a oposição foi afastada e que deverá reconduzir Lukashenko para um quinto mandato consecutivo, e alertou os europeus contra um levantamento das sanções dirigidas a Minsk.

Eleito pela primeira vez em julho de 1994, o homem forte da Bielorrússia e que dirige esta ex-república soviética situada entre a União Europeia (UE) e a Rússia, pretende obter uma taxa de participação convincente para esta eleição que será seguida de perto pelos europeus, que já terão admitido o fim das sanções contra si e colaboradores mais próximos.

Para Svetlana Alexievitch, qualquer aproximação a quem gosta de ser designado por "Batka" (o pequeno pai) da Bielorrússia seria um erro de apreciação.

"De quatro em quatro anos, novos responsáveis europeus chegam ao poder e pensam poder resolver o problema Lukashenko sem saber que ele não é um homem digno de confiança", declarou durante uma conferência de imprensa em Berlim.

"É um 'homem soviético' e nunca mudará", assegurou, numa referência ao 'homo sovieticus' que percorre a sua obra e relacionada com a dificuldade dos países do antigo bloco de Leste se libertarem de uma conceção autoritária da política e da sociedade.

O regime de Lukashenko multiplicou os gestos de apaziguamento, ao libertar designadamente este verão os últimos presos políticos, onde se incluía o opositor número um Mikola Statkevitch, que esteve detido durante cinco anos.

Um "gesto" apreciado pelos europeus, que encaram suspender as sanções aplicadas em 2011 em protesto contra a repressão violenta que se seguiu à reeleição de Lukashenko em 2010.

Para a Nobel da Literatura, os europeus não devem alimentar ilusões face à "ditadura suave" de Lukashenko, que se tem tentado posicionar como mediador entre a UE e Moscovo face às tensões provocadas pela crise ucraniana.

Enquanto a decisão sobre o levantamento das sanções deve ser decidida até ao final de outubro, os europeus aguardam o desenrolar da eleição presidencial, na qual Lukashenko de confronta com três candidatos praticamente desconhecidos.

Os 28 pretendem assegurar que "não vão registar-se novas prisões de opositores, violência, perseguições aos media", referiu um diplomata à agência noticiosa AFP.

Durante uma conferência de imprensa no sábado em Minsk, dois dos três rivais de Lukashenko escusaram-se a emitir fortes críticas ao líder bielorrusso, e a sua campanha parece refletir a lassitude dos eleitores.

Por motivos diversos, os principais candidatos da oposição democrática foram impedidos pela comissão eleitoral, e apelaram ao boicote do escrutínio.

"É uma posição fraca. Nunca apoiei o boicote das eleições. Mas se não temos candidato, porquê ir votar?", disse à AFP o opositor Mikola Statkevitch.

Convencido que a sua libertação da prisão se destina a agradar aos ocidentais devido à aproximação do escrutínio, Statkevitch desfilou hoje ao lado de 500 manifestantes em Minsk, que agitaram bandeiras europeias e pediram em cartazes a saída de Lukashenko.

Após o anúncio da atribuição do Nobel da Literatura, o Presidente bielorrusso felicitou a escritora, mesmo que alguns dos seus livros estejam proibidos no país e que as autoridades impeçam com frequência as aparições em público de Svetlana Alexievitch em Minsk, onde vive uma parte do ano.

Lusa

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