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Autoridades angolanas negam que Luaty Beirão esteja em risco de vida

As autoridades angolanas negam que o 'rapper' Luaty Beirão, a cumprir esta segunda-feira o 22º dia de greve de fome, esteja em risco de vida, contrariando a versão da família do cantor.

Visivelmente debilitado e deitado na cama de uma das enfermarias do estabelecimento prisional, o jovem, de 33 anos, um dos 15 detidos em Luanda desde junho por preparação de um golpe de Estado, não respondeu a qualquer pergunta da Lusa, numa visita autorizada pela direção nacional dos Serviços Prisionais angolanos, António Fortunato.

"Clinicamente, o Luaty está estável, embora debilitado pelo tempo que leva sem ingestão de alimentos. Neste momento está a ingerir apenas água e chá com um pouco de açúcar", explicou à Lusa o médico Manuel Freire, chefe nacional do departamento de saúde dos Serviços Prisionais, que acompanhou a visita ao ativista no hospital-prisão de São Paulo, em prisão preventiva desde 20 de junho.

Na visita, Luaty Beirão, que também tem nacionalidade portuguesa, limitou-se a acenar com a cabeça, sem qualquer outra explicação, apesar da insistência.

De acordo com o médico, Luaty Beirão aceitou, desde domingo, que lhe fossem administrados soros, nomeadamente complexo B e fisiológico, para "reidratar".

"Ele neste momento não está a fazer qualquer esforço físico, pode ser que isso leve a uma resistência maior. Mas nós estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para salvarmos a vida do Luaty. Estamos a tentar convencê-lo a alimentar-se, o mínimo que for possível, para que ele saia dessa situação", disse ainda Manuel Freire.

Em causa está a situação de um grupo de 17 jovens - duas em liberdade provisória - acusados formalmente, desde 16 de setembro passado, de prepararem uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, mas sem que haja uma decisão do tribunal de Luanda sobre a prorrogação da prisão preventiva em que se encontram.

Os 15 jovens, entre os quais Luaty Beirão, estão detidos, em prisão preventiva, desde 20 de junho.

Denunciando que está detido ilegalmente, por se ter esgotado o prazo máximo de 90 dias de prisão preventiva sem nova decisão, Luaty Beirão, engenheiro de formação, entrou em greve de fome.

"Neste momento não há risco, neste momento há risco de vida nenhum. Todos os órgãos estão em funcionamento. Ele está numa situação razoável, não vou dizer que está bem, bem, porque está debilitado. Mas até ao momento não corre risco de vida", assegurou ainda à Lusa o chefe nacional do departamento de saúde dos Serviços Prisionais angolanos.

A família de Luaty afirma que o ativista - que assina com os heterónimos musicais "Brigadeiro Mata Frakuzx" ou, mais recentemente, "Ikonoklasta" - corre "risco de vida", face à frágil situação de saúde, sendo, por isso, o foco principal das vigílias que se realizaram nos últimos cinco dias em Luanda.

A última das quais aconteceu no domingo e mobilizou um forte aparato policial levando os cerca de 100 participantes, concentrados na escadaria da igreja da Sagrada Família, a desmobilizar, por recearem a intervenção da Polícia de Intervenção Rápida.

Luaty Beirão é um dos rostos mais visíveis da contestação ao regime angolano e já chegou a ser preso pela polícia angolana em manifestações de protesto.

É filho de João Beirão, já falecido, que foi fundador e primeiro presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), entre outras funções públicas, sendo descrito por várias fontes como tendo sido sempre muito próximo do Presidente angolano.

A Lusa noticiou a 05 de outubro o conteúdo do despacho de acusação proferido pelo Ministério Público angolano contra os 17 jovens, alegando que preparavam uma rebelião e um atentado contra o Presidente da República, prevendo barricadas nas ruas e desobediência civil, que estes aprendiam num curso de formação.

Lusa

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