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Cerca de 300 pessoas detidas durante o fim de semana em Cuba

Vários grupos de dissidentes cubanos denunciaram hoje que cerca 300 ativistas foram detidos durante o fim de semana por causa da campanha "Todos Marchamos" a favor da liberdade dos presos políticos.

© Alexandre Meneghini / Reuters

O coordenador da União Patriótica de Cuba (UNPACU), José Daniel Ferrer, disse que se registaram 266 detenções temporárias de elementos daquele grupo em quase todas as províncias orientais do país.

José Daniel Ferrer foi também detido e esteve durante várias horas na unidade policial da cidade oriental de Santiago de Cuba.

Segundo José Daniel Ferrer, também foram revistadas pela polícia duas casas, em Santiago e Holguin, utilizadas como sede da UNPACU, onde foram apreendidos documentos, listas, dinheiro e registos audiovisuais.

"Esta busca está relacionada com a campanha 'Todos Marchamos' em que estão a participar cada vez mais organizações da oposição a pedir a libertação dos presos políticos", considerou o dissidente.

A líder das Damas de Branco, Berta Soler, confirmou que muitas organizações se estão a envolver naquela campanha promovida pelo Fórum de Direitos e Liberdade, que apela para a amnistia geral de mais de 100 presos políticos.

Berta Soler disse que, pelo menos, 78 dissidentes foram detidos depois de uma missão na igreja de Havana, entre os quais 53 mulheres das Damas de Branco.

Outras 27 mulheres daquela organização foram detidas noutros locais do país, acrescentou.

O porta-voz da Comissão Cubana dos Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Elizardo Sánchez, confirmou que houve entre 200 a 300 detenções.

Elizardo Sánchez considerou que se trata de uma "forma de reposta repressiva a qualquer oposição ao Governo" e que tem como objetivo limitar as "atividades e impacto" das organizações dissidentes.

O porta-voz da Comissão Cubana dos Direitos Humanos lamentou também que os países da América e da Europa "olhem para o lado" face àquela situação que se repete há 25 semanas.

"Só os Estados Unidos manifestaram a sua preocupação nos últimos tempos", disse.

Desde setembro, segundo aquela organização, foram detidas em Cuba 882 pessoas por motivos políticos.

O Governo cubano considera os dissidentes como "contrarrevolucionários" e "mercenários".

Lusa

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