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Novos incidentes em Luanda com ativistas que apelam à libertação de 15 detidos

Um forte cordão policial envolveu esta segunda-feira a igreja de São Domingos, em Luanda, para onde estava anunciada uma missa e vigília defendendo a libertação dos 15 ativistas angolanos detidos desde junho, acusados da preparação de um golpe de Estado.

Os participantes, em silêncio, envergavam então peças de roupa branca, velas e cartazes com dizeres apelando à libertação dos 15 jovens e em solidariedade com o ´rapper' e ativista angolano Luaty Beirão.

Os participantes, em silêncio, envergavam então peças de roupa branca, velas e cartazes com dizeres apelando à libertação dos 15 jovens e em solidariedade com o ´rapper' e ativista angolano Luaty Beirão.

Conforme a agência Lusa constatou no local, o templo encontrava-se, pelas 19:00 (mesma hora em Lisboa), cercado por agentes da Polícia Nacional, por motivos desconhecidos.

Há denúncia de detenções, no local, de alguns ativistas que participavam nesta ação - também em solidariedade com Luaty Beirão, um dos 15 detidos e em greve de fome há 22 dias -, que foram entretanto libertados, segundo a mesma informação, dos organizadores.

Este novo incidente surge depois de uma forte mobilização policial no domingo para a igreja da Sagrada Família, também em Luanda, Angola, onde cerca de uma centena de pessoas se concentraram em vigília pelos mesmos motivos, mas que acabaram por pacificamente abandonar o local por recearem a intervenção da polícia, como disseram na altura à Lusa.

Essa desmobilização aconteceu pelas 20:30 de domingo, quando este grupo estava rodeado por dezenas de elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), incluindo um camião para lançamento de água já posicionado em frente - com as ruas envolventes cortadas ao trânsito automóvel - além de brigadas caninas, conforme a Lusa constatou no local, num ambiente de muita tensão.

Os participantes, em silêncio, envergavam então peças de roupa branca, velas e cartazes com dizeres apelando à libertação dos 15 jovens e em solidariedade com o ´rapper' e ativista angolano Luaty Beirão.

Essa foi a quarta vigília nas escadarias daquela igreja, a principal de Luanda. Contudo, após a mobilização policial de domingo, os participantes tentaram hoje fazer a mesma concentração, em moldes semelhantes, mas na igreja de São Domingos, a poucos quilómetros de distância.

Além de Luaty Beirão, permanentemente invocado nestes protestos dada a situação de saúde, os participantes alertaram para o caso de Nélson Dibango, outro dos 15 detidos neste processo e que iniciou também uma greve de fome nos últimos dias.

Em causa está a situação de um grupo de 17 jovens - duas em liberdade provisória - acusados formalmente, desde 16 de setembro passado, de prepararem uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, mas sem que haja uma decisão do tribunal de Luanda sobre a prorrogação da prisão preventiva em que se encontram.

Denunciando que por esse motivo está detido ilegalmente - esgotado o prazo máximo de 90 dias de prisão preventiva sem nova decisão -, Luaty Beirão, ativista, 'rapper' e engenheiro, de 33 anos, entrou em greve de fome, há 22 dias.

A família de Luaty afirma que o ativista - que assina com os heterónimos musicais "Brigadeiro Mata Frakuzx" ou, mais recentemente, "Ikonoklasta" - corre "risco de vida", face à frágil situação de saúde, sendo, por isso, o foco principal destas vigílias, mas as autoridades angolanas desvalorizaram hoje esse cenário, garantindo que está a receber acompanhamento médico, desde sexta-feira, na prisão hospital de São Paulo, em Luanda.

Luaty Beirão é um dos rostos mais visíveis da contestação ao regime angolano e já chegou a ser preso pela polícia angolana em manifestações de protesto.

É filho de João Beirão, já falecido, que foi fundador e primeiro presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), entre outras funções públicas, sendo descrito por várias fontes como tendo sido sempre muito próximo do Presidente angolano.

A Lusa noticiou, na segunda-feira, o conteúdo do despacho de acusação proferido pelo Ministério Público angolano contra os 17 jovens, alegando que preparavam uma rebelião e um atentado contra o Presidente da República, prevendo barricadas nas ruas e desobediência civil, que estes aprendiam num curso de formação.

Lusa

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