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Principais conclusões do relatório sobre as causas da queda do voo MH17

Eis as principais conclusões do inquérito internacional conduzido pela Holanda sobre as causas do despenhamento do voo MH17, abatido a 17 de julho de 2014 com 298 pessoas a bordo quando sobrevoava o leste da Ucrânia.

© Michael Kooren / Reuters

- O Boeing 777 da Malaysia Airlines foi abatido por uma ogiva de tipo 9N314M lançada por um sistema de mísseis terra-ar de tipo BUK, de fabrico russo. O míssil deslocava-se a uma velocidade de cerca de 700 metros por segundo.

- A ogiva explodiu às 13:20 TMG perto da parte superior esquerda do 'cockpit', projetando centenas de fragmentos contra o aparelho, que voava a uma altitude de cerca de 10.000 metros.

- O tipo de míssil utilizado foi identificado graças aos registos sonoros da detonação, ao seu impacto na fuselagem e à forma característica, quadrada ou "nó de borboleta", dos fragmentos encontrados.

- Após a explosão, o 'cockpit' foi "quase instantaneamente" separado do resto da fuselagem. O piloto, o copiloto e um membro da tripulação que se encontrava no 'cockpit' tiveram morte imediata.

- O resto do aparelho continuou a avançar, cerca de 8,5 quilómetros, antes de se despenhar. A cauda caiu no solo antes da parte central da fuselagem. Esta continuou a avançar um pouco mais e incendiou-se assim que bateu no chão.

- É impossível determinar quantos passageiros estavam já mortos no momento do impacto com o solo. O relatório não pode, por outro lado, excluir que alguns passageiros estivessem, em algum momento, conscientes durante a queda do aparelho.

Segundo o Conselho de Segurança Holandês (OVV), é todavia "provável" que os passageiros estivessem "dificilmente em condições de compreender a situação em que se encontravam".

- O inquérito não designou quem lançou o míssil. O OVV delimitou uma zona de 320 quilómetros quadrados da qual ele poderá ter sido disparado, mas não determinou quem, os rebeldes pró-russos ou as forças governamentais ucranianas, controlava as diversas partes dessa zona.

- A Ucrânia deveria ter encerrado o espaço aéreo sobre o leste do país por causa do conflito aí em curso. Dois aviões militares ucranianos tinham sido abatidos a 14 e 16 de julho graças a sistemas capazes de atingir a altitude de voo dos aviões comerciais. A 17 de julho, dia do despenhamento do voo MH17, 160 aviões comerciais sobrevoaram o leste da Ucrânia.

- O relatório recomenda à Organização da Aviação Civil Internacional e à Associação Internacional de Transportes Aéreos que mudem as suas regras para que decisões adequadas sejam tomadas para o encerramento de espaços aéreos.

Encoraja, nomeadamente, a partilha de informações e que a aviação civil seja tida em conta nas avaliações sobre a segurança dos espaços aéreos, bem como a clarificação de algumas responsabilidades que cabem aos Estados.

- O relatório recomenda às companhias aéreas que realizem as suas próprias avaliações de segurança relativamente a espaços aéreos arriscados.

- Devido a uma má coordenação na procura de informações sobre os passageiros, os familiares das vítimas tiveram de esperar entre dois e quatro dias após o despenhamento do avião para obterem a confirmação oficial das suas identidades.

O relatório recomenda desde logo que sejam incluídas as nacionalidades nas listas de passageiros para facilitar a busca de informações.

Lusa

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