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Papa diz que iniciativas contra a fome esbarram "em política injustas" e interesses privados

O papa Francisco considerou hoje, numa carta por motivo do Dia Internacional da Alimentação, que "o enfoque em interesses particulares" e a existência de "políticas injustas" estão a travar as iniciativas contra a fome e a subnutrição.

Reuters/Arquivo

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© Stefano Rellandini / Reuters

Numa mensagem enviada ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, o papa adverte que, "apesar dos esforços realizados, existem milhões de pessoas a passar fome e subnutrição" e tal deve-se "sobretudo à distribuição iníqua dos frutos da terra, mas também à falta de desenvolvimento agrícola".

Para o papa Francisco, "a busca afincada pelo lucro, o enfoque nos interesses particulares e os efeitos de políticas injustas estão a travar iniciativas nacionais ou impedem uma cooperação eficaz no seio da comunidade internacional". Por isso mesmo, sublinha, "está muito por fazer no que se refere à segurança alimentar", algo que "ainda é uma meta longínqua para muitos".

Perante este cenário, que Francisco caracteriza como "doloroso", há que "reclamar com urgência" os princípios que conduziram ao nascimento da FAO.

O papa também aborda na carta a questão das injustiças sociais e económicas no Mundo, afirmando que estão a "aumentar as diferenças nos níveis de bem-estar, de receitas, de consumo, de acesso a assistência de saúde, a educação e, assim, a uma maior esperança de vida".

Por outro lado, critica aqueles que "muitas vezes assistem mudos e paralizados" a situações "que não podem ser exclusivamente atribuídas a fenómenos económicos".

"É possível ainda conceber uma sociedade na qual os recursos fiquem nas mãos de uns poucos e em que os menos favorecidos se vejam obrigados a apanhar apenas as migalhas?", pergunta o papa Francisco na sua carta à FAO.

Por isso mesmo apela aos governos e instituições internacionais para que "atuem o quanto antes, fazendo tudo o que lhes for possível, aquilo que dependa da sua responsabilidade".

Quanto ao papel das Nações Unidas, Francisco recordou a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, recentemente aprovada na ONU, e instou a que "não se fique apenas por um conjunto de regras ou de possíveis acordos".

Lusa

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