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Seis caçadores ilegais moçambicanos mortos este ano no Parque Kruger

Seis caçadores ilegais moçambicanos foram mortos este ano no Parque Kruger, na vizinha África do Sul, disse hoje à Lusa o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Gaza, Jeremias Langa.

Reuters

"No total, seis caçadores furtivos foram mortos pelas autoridades sul-africanas de janeiro a setembro deste ano no Parque Kruger e esta situação nos preocupa ", lamentou Jeremias Langa.

O Kruger, cobrindo cerca de 20 mil quilómetros quadrados, faz fronteira com o Parque Nacional do Limpopo, do lado moçambicano, uma região vulnerável a ações de caça ilegal devido à falta de fiscalização.

Cerca de 80% dos caçadores ilegais detidos no Parque Kruger são moçambicanos, de acordo com dados avançados em julho pela maior área de conservação da África do Sul.

"Quando os moçambicanos são apanhados lá a 'pena é de morte'", salientou Jeremias Langa, acrescentado que, à luz da sua legislação, as autoridades sul-africanas estão autorizadas a "abrir fogo" contra os caçadores ilegais.

Além de campanhas de sensibilização, como forma de combater a caça furtiva na região, prosseguiu Jeremias Langa, estão ser criadas equipas conjuntas entre as autoridades moçambicanas e sul-africanas, uma estratégia que visa proteger a zona fronteiriça entre os parques do Limpopo e Kruger.

"No âmbito dessa parceria, quando matam um caçador ilegal moçambicano, eles até nos avisam, informando `matámos o vosso compatriota, venha buscar´", declarou Jeremias Langa, acrescentado que a maior parte dos caçadores furtivos é oriunda do distrito de Massingir, na província de Gaza.

"Nós estamos a registar progressos, já conseguimos apreender 22 armas de fogo nos últimos tempos e, em 20 casos, detivemos 22 indivíduos", acrescentou o porta-voz.

O ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano disse recentemente que 500 caçadores ilegais do seu país foram mortos nos últimos cinco anos na África do Sul, 82 dos quais no primeiro semestre de 2015.

O antigo estadista não esclareceu onde foi buscar esta estatística, mas, para o porta-voz da PRM em Gaza, trata-se de "um exagero" e o número não deverá chegar a cinquenta.

Segundo dados governamentais divulgados em setembro, o número de rinocerontes mortos na África do Sul aumentou este ano, com 749 animais abatidos por caçadores furtivos nos primeiros oito meses do ano, contra os 716 registados no mesmo período em 2014.

Durante os últimos oito anos, o número de rinocerontes mortos por caçadores tem vindo a aumentar de forma significativa. Em 2014, os caçadores furtivos mataram 1.215 animais, enquanto em 2007 foram registados apenas 13 casos.

O aumento é explicado pela crescente procura dos chifres de rinoceronte no mercado asiático, por causa das suas alegadas propriedades medicinais.

Existem cerca de 20 mil rinocerontes na África do Sul, que representam 80% da população mundial desta espécie.

Na semana passada, o ministro moçambicano da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, referiu-se ao combate à caça furtiva, assegurando, sem avançar números, que "já há resultados palpáveis e que vão orgulhar todos os moçambicanos"

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