sicnot

Perfil

Mundo

Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, galardoado com Prémio Confúcio da Paz

O criador do Prémio Confúcio da Paz, aspirante a Nobel chinês, defendeu hoje a atribuição do galardão deste ano ao presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, frequentemente acusado de violação de direitos humanos.

Robert Mugabe nas Nações Unidas em Setembro de 2015.

Robert Mugabe nas Nações Unidas em Setembro de 2015.

© Eduardo Munoz / Reuters

Qiao Damo, fundador do Centro Internacional da China de Estudos da Paz, que atribui o prémio, disse à agência France Presse que Mugabe tinha sido reconhecido pelas suas "importantes contribuições" para a paz mundial.

Mugabe, de 91 anos e na liderança do Zimbabué desde 1980, ultrapassou nove outros finalistas, incluindo o fundador da Microsoft Bill Gates, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e a presidente sul-coreana Park Geun-Hye, adiantou.

"Se ele não tivesse chegado ao poder em 1980, se não tivesse desempenhado um papel, quanto talento teria sido desperdiçado", disse Qiao.

Criado em 2010 como uma resposta chinesa ao Nobel da Paz atribuído ao dissidente chinês Liu Xiaobo, o Prémio Confúcio da Paz já recompensou o presidente russo Vladimir Putin e o ex-presidente cubano Fidel Castro, bem como figuras mais consensuais como Kofi Annan, antigo secretário-geral das Nações Unidas.

Num comunicado anunciando o prémio em setembro, o comité elogiava Mugabe pelo seu envolvimento "na construção da ordem política e económica do país em benefício do povo do Zimbabué" e pelo "forte apoio ao pan-africanismo e independência africana".

Qiao destacou a "capacidade (de Mugabe) para estabilizar o Zimbabué e ao mesmo tempo promover a paz em África" como presidente da União Africana.

Grupos de defesa dos direitos humanos e políticos da oposição acusam Mugabe de supervisionar a destruição da economia e a brutal repressão no Zimbabué.

Gordon Moyo, secretário-geral do Partido Democrático do Povo (oposição), considerou o prémio uma "insanidade", no 'site' de notícias Bulawayo24.

Os organizadores do prémio, adiantou, "deviam enforcar-se de vergonha por recompensarem assassinos que se disfarçam de promotores da paz".

A cerimónia de entrega do prémio, no valor de 500.000 yuan (71.000 euros), está marcada para dezembro.

Lusa