sicnot

Perfil

Mundo

Investigador diz que professores deviam ser remunerados de acordo com as suas competências

O economista Eric Hanushek defendeu hoje em Lisboa que a qualidade dos professores é essencial para o sucesso dos alunos e, por isso, docentes e diretores escolares deviam ser remunerados de acordo com as competências.

© Fabrizio Bensch / Reuters

Estudioso da área da educação há várias décadas, o professor e investigador na Universidade de Stanford esteve hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, onde afirmou que a qualidade do ensino tem efeitos diretos no crescimento económico de um país e que os bons professores podem fazer a diferença.

A sua tese baseia-se nos resultados dos alunos no Pisa (os maiores exames internacionais realizados de três em três anos pela OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que, segundo Eric, revelam que países mais bem classificados têm taxas maiores de crescimento económico.

Para o investigador, o importante não são os anos de escolaridade obrigatória ou o número de horas de aulas mas sim a qualidade de ensino e essa está muito dependente da qualidade dos docentes.

Eric Hanushek acredita que os docentes têm influência direta no sucesso académico dos alunos e defende que devem ser remunerados de acordo com as suas competências.

No mesmo sentido, Hanushek entende que também os diretores deveriam ser premiados quando os seus alunos obtêm bons resultados, num cenário em que os diretores seriam responsabilizados pelos sucessos e fracassos dos alunos.

"A qualidade de um diretor é muito importante na qualidade da escola", defendeu o autor ou co-editor de 23 livros e cerca de duzentos artigos científicos, entre os quais o estudo que relaciona a educação ao crescimento económico - "The Knowledge Capital of Nations: Education and the Economics of Growth.

Eric Hanushek defende que alunos e professores devem ser avaliados para se poder perceber a evolução de desempenho dos estudantes mas também que "os diretores escolares conseguem identificar muito bem quem são os seus melhores e os piores professores".

Em declarações aos jornalistas à margem da conferência "Educação e Desenvolvimento - Escola e Sociedade", o investigador reconheceu que este é um caminho que "é difícil de chegar lá. Não se chega lá facilmente".

Depois do investigador norte-americano, que já tinha estado em Portugal em 2013 a convite do Ministério da Educação e Ciência, falaram o escritor Mário de Carvalho, a cientista Maria de Sousa e a artista plástica Ângela Ferreira.

Mário de Carvalho criticou a "coisificação" e a "visão burocrática do ensino que reduz tudo a números, chavetas e gráficos".

Contra um ensino em que os jovens são formados para servirem de peças de máquinas das empresas, lembrou que "há mundo para além das mercadorias" e que por isso a palavra-chave do ensino é cidadania: "é a formação de cidadãos livres".

Maria de Sousa defendeu que "existem outras coisas para além do desenvolvimento económico" que não podem ser esquecidas, tais como "o desenvolvimento cultural, o desportivo -- que vai muito além do futebol -- o estado de saúde dos cidadãos, o tempo médio de vida, os níveis de desigualdade de sociedade".

"O desenvolvimento é termos escolas que nos igualizam e, ao mesmo tempo, nos preparam para sermos diferentes", acrescentou, lembrando a importância de "aprender que não se sabe" e de "perguntar e duvidar".

No final da mesa redonda, quando confrontado com as críticas, o economista Eric Hanushek considerou que as posições "não são incompatíveis" e que "quando a educação melhora, as pessoas têm mais oportunidades para poderem fazer diferentes coisas, podem ser cientistas, escritores ou artistas"

A conferência contou ainda com a presença de outras personalidades como Artur Santos Silva, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) e Manuela Ferreira Leite, antiga ministra da Educação, de Estado e das Finanças.

Lusa

  • Marcelo lembra as consequências da demissão de Vítor Gaspar
    1:06

    Caso CGD

    O Presidente da República reitera que o assunto Caixa Geral de Depósitos está fechado. Em entrevista à TVI, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou esta segunda-feira as consequências que a demissão de Vítor Gaspar, ministro das Finanças em 2013, provocou no sistema financeiro para justificar o facto de ter intervindo na polémica com as SMS trocadas entre Mário Centeno e António Domingues.

  • PSD e CDS admitem chamar António Costa à nova Comissão de Inquérito à CGD
    2:37

    Caso CGD

    PSD e CDS admitem chamar o primeiro-ministro à nova Comissão de Inquérito à CGD. Apesar de ser uma hipótese, a SIC sabe que os dois partidos ainda estão a definir o objeto do inquérito e, por isso, afirmam que é prematuro falar sobre eventuais audições. Seja como for, António Costa voltou esta segunda-feira a dizer que o assunto está encerrado.

  • Acha que conhece o seu país?
    27:42
  • Avioneta despenha-se em centro comercial de Melbourne

    Mundo

    Uma avioneta com cinco pessoas a bordo caiu num centro comercial perto do aeroporto de Essendon em Melbourne, capital da Austrália. Segundo a polícia do estado de Vitória tratava-se de um voo charter com destino a King Island, situada entre a parte continental da Austrália e a ilha da Tasmânia.

  • Pelo menos 18 detidos em protestos no Rio de Janeiro

    Mundo

    Pelo menos 18 pessoas foram esta segunda-feira detidas no Rio de Janeiro, Brasil, depois de confrontos com a polícia durante um protesto contra a privatização da empresa pública de saneamento, que serve o terceiro estado mais povoado do país.

  • O momento em que Kim Jong-nam terá sido envenenado
    1:21

    Mundo

    A investigação ao homicídio do meio-irmão do líder da Coreia do Norte no aeroporto da capital da Malásia está a provocar uma crise diplomática entre os dois países. Esta segunda-feira, um canal de televisão japonês divulgou imagens das câmaras de vigilância do aeroporto que alegadamente captam o momento em que Kim Jong-nam terá sido envenenado.

  • O atentado na Suécia inventado por Donald Trump
    2:12
  • Os ensaios para a maior festa do ano
    1:16

    Mundo

    Em contagem decrescente para o Carnaval, no Rio de Janeiro, já começaram os ensaios para a maior festa do ano. A noite de testes na avenida Marquês de Sapucaí conta com desfiles gratuitos.