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Cuba dececionada com voto contra de EUA e Israel ao fim do embargo na ONU

O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez Parilla, manifestou hoje a sua deceção pelo voto contra dos Estados Unidos ao fim do embargo à ilha, numa votação histórica realizada hoje na Assembleia-geral das Nações Unidas.

© Jonathan Ernst / Reuters

"Sinto-me dececionado com o voto dos EUA. Há poucas horas o governo dos EUA votou contro o fim do bloqueio. A fundamentação que apresentou na Assembleia-geral resulta francamente insubstancial", declarou Parilla aos jornalistas.

O resultado da votação foram 191 votos favoráveis, nenhuma abstenção e dois votos contra (Estados Unidos e Israel).

O embargo imposto pelos EUA é um dos mais longos da humanidade e foi decretado a 07 de fevereiro de 1962.

O ministro cubano disse que esperava encontrar um voto consistente com as obrigações jurídicas internacionais dos Estados Unidos.

"Isso não ocorreu hoje e resulta dececionante", admitiu.

Parilla reclamou que as justificações para o voto contra da delegação americana não apresentaram fundamentos no ponto de vista do poder Executivo de introduzir modificações reais à aplicação do bloqueio.

O discurso americano na Assembleia-geral da ONU reconhece os progressos em matéria diplomática alcançado nos últimos meses e reafirma o engajamento do Presidente Barack Obama no debate com o Congresso para o fim do bloqueio.

"Em essência, a explicação resulta profundamente contraditória e inconsistente com a nova política anunciada", criticou.

Nas palavras do governante cubano, a comunidade internacional expressou "praticamente de forma unânime" o seu apoio ao levantamento do bloqueio económico.

Parilla definiu o embargo como uma política obsoleta que causou "consideráveis danos humanos e económicos ao povo cubano".

O embargo ainda adquire uma dimensão humanitária, destacou, ao ser uma "violação maciça, flagrante e sistemática dos direitos humanos de todos os cubanos".

Parilla disse ainda que o bloqueio contra Cuba é um "ato totalmente unilateral" dos EUA e sustentou que esta política prejudica o interesse nacional dos americanos.

O ministro cubano reclamou, por outro lado, que passados 10 meses, desde 17 de dezembro de 2014, quando foram retomadas as relações entre o líder Raúl Castro e Barack Obama, o Congresso dos EUA ainda não aprovou nenhuma emenda ou legislação dirigida a eliminar o bloqueio.

"Inclusive, foram introduzidas propostas de legislação no Congresso americano destinadas a reforçar a aplicação de alguns aspetos do bloqueio ou impedir o Presidente dos EUA de utilizar poderes executivos para modificar a sua aplicação", declarou Parilla.

Nas palavras de Parilla, Cuba nunca aplicou nenhuma "medida discriminatória" contra companhias e homens de negócios americanos.

"Nunca levantou o menor obstáculo contra investimentos ou comércio com os EUA. Cuba não impede, se não que favorece as visitas dos cidadãos norte-americanos".

Castro e Obama já se reuniram duas vezes desde a retoma das relações, em dezembro de 2014. O primeiro encontro foi em abril, na Cimeira das Américas, no Panamá. A última vez em que os dois presidentes se viram foi a 29 de setembro à margem da Assembleia Geral da ONU.

Em 10 meses, os países reabriram as embaixadas em Havana e Washington e relaxaram restrições de viagens.

Lusa

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